sábado, 10 de setembro de 2011

ALÉM DA ESTRADA

GUION CENTER 2 – ALÉM DA ESTRADA – 85 MIN/ 14ANOS                 
Sexta/09,  Sábado/ 10 e Dom/11 –  14h45 – 16h30 – 20h40 – 22h15                  
Seg/12 a Quinta/15 –  14h45 – 16h30 – 20h40


ALÉM DA ESTRADA
(URUGUAI/ 2010/ 86 MIN/ FALADO EM ESPANHOL E INGLÊS/ 14 ANOS/ DRAMA)
Escrito, dirigido e produzido por CHARLY BRAUN
Argumento: FELIPE SHOLL e CHARLY BRAUN
Fotografia: PABLO RAMOS e BRUNO ALZAGA
Direção de Arte: AGNIEZKA KUROSLAWSKI
Montagem: FERNANDO COSTER e CHARLY BRAUN
Co-Produtor: PATRICK SIARETTA
Músicas de KEVIN JOHANSEN, RADIOHEAD, SIGUR ROS, BOLA DE NIEVE, CUARTETO ZITAROSA,
DONOVAN e outros.
Elenco: ESTEBAN FEUNE DE COLOMBI, JILL MULLEADY, GUILHERMINA GUINLE
HUGO ARIAS
Produção uruguaia e brasileira, onde a atriz GUILHERMINA GUINLE estreia como produtora e participa do filme dirigido por seu irmão, CHARLY BRAUN. Composto basicamente por atores não-profissionais de diferentes nacionalidades, o elenco deste elogiadíssimo filme forma também um heterogêneo painel das culturas e características sociais da América Latina.
ESTEBAN FEUNE DE COLOMBI é ator, poeta, escritor e jornalista argentino. JILL MULLEADY, de nacionalidade suíça e uruguaia, estudou arquitetura, cinema e artes
plásticas. Como atriz, formou-se na prestigiosa escola “Jaques Le Coq”, na França, onde posteriormente estagiou com a renomada diretora Ariadne Mnouchkine.
GONZALO TORRES, cantor e compositor uruguaio.
TINA MALIA, cantora folk americana e a top model NAOMI CAMPBELL
tem participações especiais..
Músicas de KEVIN JOHANSEN, RADIOHEAD, SIGUR ROS, BOLA DE NIEVE, CUARTETO ZITAROSA,
DONOVAN e outros. Sua estreia no Uruguai foi no ano passado.
 
APRESENTAÇÃO
Unindo moderna estética documental a cenários deslumbrantes, Além da Estrada narra a jornada de Santiago e Juliette, dois jovens à procura de seus caminhos em um país estrangeiro.
O filme marca a estreia em direção de longas-metragens de Charly Braun, premiado por seus curtas Quero Ser Jack White e Do Mundo Não Se Leva Nada.
Além da Estrada teve sua estreia mundial no Festival do Rio 2010, onde levou o troféu Redentor de melhor direção.
Ainda no Brasil, foi o filme de abertura do III Janela Internacional de Cinema do Recife e integrou, entre outros festivais, a 34º Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo. O filme estreou comercialmente nas salas de cinema do Uruguai em junho de 2011.
O elenco é composto basicamente por atores não-profissionais de diferentes nacionalidades, o filme conta também com participações especiais de três reconhecidos artistas, representando
a si próprios: a modelo Naomi Campell, o cantor e compositor uruguaio Gonzalo Torres, e Tina Malia, cantora folk americana.
A atriz Guilhermina Guinle é a representante brasileira no elenco.
O filme tem como pano fundo um Uruguai que passa por grandes mudanças de comportamento e valores, criando um espelho para os dilemas vividos pelos protagonistas
e servindo como um contemporâneo retrato de uma geração em crise. “Tradicionalmente road movies falam de personagens em crise, em busca de uma identidade (ou de uma nova identidade). Este é o caso de Santiago e Juliette, dois jovens cosmopolitas, que se encontram num país estrangeiro, perto de completarem seus trinta anos de idade. Fazem juntos esta viagem de descobertas, e é durante esta jornada que floresce um amor terno, sutil e forte”, conta Charly.
Para registrar a história de Santiago e Juliette, o diretor, que também assina o roteiro, se utiliza, ocasionalmente, de uma super-8 (mídia em extinção), em contraponto à moderna tecnologia do vídeo de alta definição com que foram captadas as imagens. Com elementos de documentário e ficção, a historia se insere em um contexto real.
“Realizamos a viagem tal qual ela acontece no filme, em ordem cronológica; registrando aquela história de ficção, mas sempre atentos às surpresas que a viagem podia nos reservar.
Tudo o que se descortinava à nossa frente podia ser material para o filme, e assim a história foi se adaptando aos acontecimentos, sem perder, porém, suas características iniciais”
explica o diretor.
 
SINOPSE CURTA
Sem perspectivas, Santiago, um argentino próximo de seus trinta anos, decide ir ao Uruguai conhecer um terreno deixado por seus pais, mortos tragicamente alguns anos antes.
Na chegada, ele encontra Juliette, uma jovem belga em busca de um amor do passado e de uma nova vida. O que parecia ser uma simples carona acaba se transformando em uma
breve, porém intensa, jornada. Visitando paisagens e pessoas perdidas no tempo, eles dividem experiências que acabam por aproximá-los, numa relação de crescente afeto e ternura.
 
SINOPSE
Sem perspectivas, Santiago, um argentino próximo de seus trinta anos, decide ir ao Uruguai conhecer um terreno deixado por seus pais, mortos tragicamente alguns anos antes. Em sua
chegada, ele encontra a jovem Juliette, uma belga em busca de um amor do passado e de uma nova vida.
O que parecia ser uma simples carona acaba se transformando em uma breve, porém intensa, jornada. Visitando paisagens e pessoas perdidas no tempo, eles dividem experiências que
acabam por aproximá-los em uma relação de crescente afeto e ternura. Quando chegam a Punta del Este, onde se hospedam na bela fazenda de Hugo, tio de
Santiago, a proximidade e a atração entre os dois chega a seu ponto máximo. Mas as diferenças parecem falar mais alto quando o agitado e glamouroso universo do famoso
balneario se interpõe entre eles. Sem avisar, Juliette deixa para trás essa nova aventura e retoma a busca por seu antigo amor.
Ao acordar sozinho, Santiago se depara com o abismo de sua solidão, mas seus sentimentos são abafados pelo frénetico ritmo social da cidade onde ele já passou tantos verões. Ele se
envolve com uma atraente jet-setter que havia conhecido alguns anos antes em Nova Iorque, quando trabalhava no mercado financeiro. Ao mesmo tempo descobre que o terreno que
herdou dos pais passou por uma grande valorização, garantindo seu futuro econômico.
Aos poucos ele percebe que a delicadeza de sua relação com Juliette era muito mais instigante do que aquele conhecido universo de seu passado. Santiago decide, então, partir para a
região de Rocha, em busca dela e do terreno que seus pais tanto amavam. Sem ter muitas pistas e perdendo-se pelas montanhas do interior, ele chega a uma comunidade
hippie, onde encontra uma Juliette fraca e abatida, cercada por cuidados que impedem a aproximação entre os dois. Na manhã seguinte, ela o procura, e eles se dão conta da força
da relação que os une. Juntos, eles partem com um mundo de possibilidades à frente.
 
DIRETOR
Charly Braun formou-se em cinema e letras pela Emerson College, em 2000. Dirigiu o primeiro filme interativo liv e action da internet, 17 Life Fables. Seus curtas, Quero Ser Jack White e Do Mundo Não Se Leva Nada foram exibidos e premiados em inúmeros festivais, como Roterdã, Tribeca e Festival do Rio (prêmio de melhor curta para Jack White). Dirigiu o making of dos filmes O Cheiro do Ralo, Última Parada 174, e Natimorto. Participou, como ator, de peças de teatro, novelas, comerciais e filmes. Seu primeiro longa metragem, Além da Estrada recebeu o prêmio de melhor direção no Festival do Rio 2010 e tem sua estreia marcada nos cinemas do Brasil para o segundo semestre de 2011.
 
 
 
 
CHARLY BRAUN & ESTEBAN FEUNE DE COLOMBI
 
 
TRILHA SONORA
CAMPO ARGENTINO, KEVIN JOHANSEN
TU ME HAS DE QUERER, BOLA DE NIEVE
ALFREDIANAS, CUARTETO ZITARROSA
COLOURS, DONOVAN
PAPINA, BANDA JAMONCRUDO
M.C., TETO OCAMPO
BBYDHYONCHORD, TRACKERS
ALL I NEED, RADIOHEAD
MILONGA DE PELO LARGO, CUARTETO ZITARROSA
WILD HORSES, TINA MALIA
GLOSOLI, SIGUR ROS
ROAD MOVIE, KEVIN JOHANSEN
 
ESTEBAN FEUNE DE COLOMBI
Ator, poeta, escritor e jornalista argentino. Formou-se em teatro pela escola de Agustin Alezzo e em literatura pela Universidade de Buenos Aires. Morou em Genebra, Barcelona e Paris, cidades onde trabalhou como operário, intérprete e cozinheiro. Atualmente reside em Buenos Aires, onde edita a revista Galera, além de apresentar-se como ator em bares e teatros. Este é seu primeiro trabalho em cinema.
 
JILL MULLEADY
De nacionalidades suíça e uruguaia, Jill Mulleady estudou arquitetura, cinema e artes plásticas. Como atriz, formou-se na prestigiosa escola “Jaques Le Coq”, na França, onde posteriormente estagiou com a renomada diretora Ariadne Mnouchkine. Atualmente dedica-se em tempo integral às artes plásticas. Suas obras já foram exibidas em exposições na Argentina, Uruguai, Inglaterra e Colômbia. Recebeu seu mestrado em artes plásticas no
Chelsea College of Arts, em Londres, onde mora atualmente.
 
GUILHERMINA GUINLE
Atriz reconhecida nacionalmente, estudou atuação na Emerson College, em Boston, e na Escola Célia Helena, em São Paulo. No teatro já foi dirigida por Miguel Falabella e José Wilker, entre outros. Atuou em inúmeras novelas e séries, a maior parte delas na Rede Globo, onde é contratada desde 2002. Sua personagem recente mais marcante foi a vilã Luisa, da novela Ti Ti Ti. No cinema, participou de curtas e longas-metragem. Além de seus trabalhos nas três áreas, apresentou um programa para o Canal Brasil, onde entrevista alguns dos mais importantes cineastas brasileiros.
 
SOBRE O DIRETOR
Currículo Biográfico
Charly Braun formou-se em cinema e letras pela Emerson College, em 2000. Em 2001 morou em Los Angeles, onde trabalhou como assistente de direção e produção em comerciais e clipes. Em 2002 lançou o primeiro filme live action totalmente interativo da internet, 17 Life Fables (com distribuição gratuita no site www.17lifefables.com). Precursor em seu gênero, foi objeto de estudo em faculdades do Brasil e dos Estados Unidos, depois de ser exibido em importantes festivais de novas mídias como o FILE e o VideoBrasil.
Em 2004, realizou seu primeiro curta no Brasil, Quero Ser Jack White, exibido em inúmeros festivais no Brasil e no exterior, acumulando 8 prêmios, incluindo o de melhor curta (júri oficial) no Festival do Rio. Integrou por quatro anos o elenco de Os Sete Afluentes do Rio Ota, espetáculo de Robert LePage onde foi dirigido por Monique Gardenberg. Em 2005 filma, em 35mm, Do Mundo Não Se Leva Nada, curta que também obteve ampla repercussão (único curta brasileiro a integrar o Tribeca Film Festival de Nova Iorque), sendo posteriormente exibido no canal Multishow.
Entre 2002 e 2008 dirigiu o making of dos filmes O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, Última Parada 174, de Bruno Barreto, e Natimorto, de Paulo Machline. Participou, como ator, de peças de teatro, novelas, comerciais e filmes, mais recentemente Meu Nome Não é Johnny. Atualmente, prepara o lançamento de seu primeiro longa-metragem, Além da Estrada, pelo qual recebeu o prêmio de melhor direção no Festival do Rio 2010. Têm outros três projetos de longa-metragem em desenvolvimento.
 
SOBRE A PRODUTORA LYNXFILM
A produtora LYNXFILM, fundada nos anos 50, palco de grandes acontecimentos que marcaram época no cinema brasileiro e posteriormente na propaganda nacional, reabriu em setembro de 2005 com a responsabilidade, entre outras, de preservar a história do cinema e da publicidade no Brasil. Apostando nos talentos do cinema brasileiro e estimulando novos profissionais, a LYNXFILM tem um importante acervo composto por mais de 60 horas
de filmes publicitários, 60 documentários de curta-metragem e 10 longas metragens de renomados diretores, várias vezes premiados. A LYNXFILM teve contribuição decisiva não apenas para a estruturação de mercado e
público, mas também como indicadora de uma tendência que se pode ter como referência, na realização de muitos dos curtas brasileiros ambientados nos anos 80 e 90; assim como, uma resposta histórica ao vazio de produção que marcou momentos do cinema brasileiro.
Agora a LYNXFILM volta preocupada com as novas tendências do mercado e interessada em suprir as suas necessidades; para isso, junta-se ao Grupo Casablanca/Teleimage, a maior empresa de Pós Produção da América do Sul e uma das maiores co-produtoras da nova geração do cinema brasileiro.
 
ENTREVISTA COM O DIRETOR
- Conte um pouco como foi o processo de filmagem?
O filme é um road-movie, um dos mais fascinantes gêneros cinematográficos (e que muitas vezes não é considerado um gênero em si). Isto foi decisivo tanto na maneira de elaborar o roteiro como na forma de filmar e trabalhar com os atores. Realizamos a viagem tal qual ela acontece no filme, em ordem cronológica; registrando aquela história de ficção, mas sempre atentos às surpresas que a viagem podia nos reservar. Tudo o que se descortinava à nossa frente podia ser material para o filme, e assim a história foi se adaptando aos acontecimentos, sem perder, porém, suas características iniciais. É desse conceito que surgem as conquistas do filme: retratar uma geografia física e humana fascinante e desconhecida, sob a ótica de duas jovens personagens ficcionais.
 
- O filme tem elementos de ficção e de documentário?
Resolvi borrar completamente a barreira que costuma separar o documentário da ficção. Neste filme a ficção é de tal maneira invadida pela realidade que a cerca, e esta vêm tão imbuída da ficção proposta, que na maior parte do tempo torna-se difícil detectar o que é ou não real. Isto faz com que o filme seja um convite a cruzar as fronteiras geográficas e ficcionais, invadindo uma realidade infinitamente mais interessante do que aquela apresentada pelos reality shows, tão em voga nos dias atuais. Uma forma poética de verdade.
O filme é permeado por uma sensação de liberdade em sua linguagem. A estrutura do roteiro em três atos, onde algo deve necessariamente acontecer a cada três minutos para prender a atenção do espectador, é abandonada, sem que se perca, porém, o arco dramatúrgico de evolução das personagens. Em um filme de estrada, um momento de silêncio vale mais do que ação frenética.
 
Como você define os personagens?
Tradicionalmente road movies falam de personagens em crise, em busca de uma identidade (ou de uma nova identidade). Este é o caso de Santiago e Juliette, dois jovens cosmopolitas, que se encontram num país estrangeiro, perto de completarem seus trinta anos de idade.
Fazem juntos esta viagem de descobertas, e é durante esta jornada que floresce um amor terno, sutil e forte.
 
Por que escolheu o Uruguai para essa viagem?
Meu pai é argentino, mas mora vive no Uruguai. A mãe dele era uruguaia, e isso fez com que ele tivesse uma relação afetiva com o país, que eu acabei herdando. Sempre associo o país com momentos mágicos, de contato com a natureza, com um modo de vida leve e cordial.
O povo Uruguaio é muito simples, mas extremamente educado, tem uma grande dignidade de alma. O Uruguai surge praticamente como um terceiro personagem. Um país que também busca uma nova identidade, sendo confrontado com uma realidade moderna que antagoniza com um passado de glória e um presente decadente, num fascinante universo de contrastes culturais, sociais e econômicos. O filme documenta esta busca, preservando para sempre histórias, lugares e pessoas que aos poucos vão se perdendo.
 
Seus dois primeiros filmes têm praticamente o mesmo protagonista, interpretado inclusive pelo mesmo ator: o jovem que busca (e encontra) uma garota. Seu primeiro longa, Além da Estrada, selecionado para o Festival do Rio, fala de um argentino em viagem pelo Uruguai. Quão autobiográfico é seu trabalho?
Os curtas eram adaptações literárias, portanto não tinham nada de autobiográfico. Mas era o meu olhar ali, encontrando aquelas histórias e adaptando-as para o cinema. Este filme é uma história original, mas que desde o início teve um roteiro muito solto, coisa que o gênero (road movie) permite, agasalha bem. Mais que autobiográfico, ele é um filme bastante pessoal, já que a seleção dos lugares e pessoas que retratei resultou de uma longa pesquisa e do meu gosto pessoal. Por outro lado, esta questão do estrangeiro, da pessoa fora do seu habitat é algo com que me identifico bastante: sou um carioca, mas passei os primeiros anos de vida na argentina, cresci em São Paulo, fiz o ensino superior e iniciei minha carreira nos EUA, ou seja, a questão das raízes, de pertencer, da identidade geográfica- são questões muito latentes em mim. Como são para o casal protagonista deste filme.
 
Seu segundo filme, Quero Ser Jackie White, abre com um dos maiores hits da banda americana White Stripes, seu terceiro curta abre com a personagem cantando, e o longa traz na trilha sonora uma música do último álbum do Radiohead, autorizada pelo próprio grupo. Qual sua relação com música e o quanto do seu processo de criação
passa por essa questão da trilha sonora? Como você liga Radiohead ao Uruguai?
Sou fascinado por musica, tenho alguma aptidão, tenho um bom ouvido. Acho que o cinema é uma arte muito cerebral: os filmes tem que ser escritos, depois são preparados, as filmagens em geral demoram e envolvem muita gente, depois passa-se muito tempo montando… Um processo longo, complexo e imprescindivelmente colaborativo. Já a musica é algo totalmente visceral, aquilo entra pelos poros e te emociona instantaneamente. Então diria que de um modo geral eu gosto de musica em filmes, acho que casa bem. Não sei se vou colocar em todos os filmes. Um dos curtas tinha uma referência óbvia à banda White Stripes e começava na loja de disco, com a compra de um CD. O outro curta também tinha personagens jovens, era meio pop, a musica calhava bem. No caso deste filme penso que a musica também complementa muito bem. Trata-se de um road movie, e um dos maiores prazeres para mim de pegar a estrada e viajar é ter a oportunidade de realmente ouvir boa musica por longos periodos de tempo. Sempre achei que musica combina com estrada.
Neste filme trabalhei exaustivamente na pesquisa e escolha de cada musica, e no final a trilha é um dos motivos de maior orgulho para mim. O Radiohead funciona como uma ponte entre as personagens. Sempre pensei que uma coisa que une este cara a esta garota poderia ser a musica: Radiohead pode ser uma banda cultuada tanto por um ex-yuppie argentino quanto por uma neo-hippie belga. A banda pediu pra ver um corte, e depois autorizou, quase de graça. Acho que eles se identificaram com essa coisa meio desgarrada e entenderam que a música no filme era mais que um mero adereço.
 
Como elaborar cinematograficamente coisas tão pessoais? Como falar de si e de músicas e lugares que fazem parte do seu universo para outras pessoas?
Muito difícil. Confio muito na intuição. Não penso muito nas “outras pessoas”… penso sim nos colaboradores, em um ou outro palpiteiro… Até hoje fiz meus filmes movido basicamente por um enorme desejo de contar aquelas histórias. Não os fiz por dinheiro, nem porque me contrataram, nem por nenhuma outra razão. Só posso esperar que os filmes ecoem na vida de algumas pessoas, que sirvam como experiências minimamente memoráveis.
 

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