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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GRUPPO SINESTETICO (Albertin , Sassu ,Scordo) is present with video and photo :
" Homage to J. Beuys "

VIRTUAL HUMANITIES
Fonlad-Porto Santo’s Biennial
1 – 30 August, 2011
(IC Zero / Porto Santo’s Biennial Production)
Madeira – Portugal

 
In 2011 Fonlad will present a representative exhibition in the Biennial of Porto Santo and an exhibition of portuguese video art (in partnership with Project Videolab and Cologne Off) at the e-criativity, India.
Also will produce an exhibition of photography and digital painting at Icon Gallery, video art screenings at Wind Rose Space Center and site-specific installations integrated into the Spring Quarter Festival in Montemor-o-Velho – Coimbra – Portugal.

FONLAD in Porto Santo’s Biennial, Madeira – Portugal
1 – 30 August 2011 

Presentation at the Biennial part of the festival’s collection. Participating artists:Photography / Digital painting: Alfonso Caputo (Italy), Antonio Azenha (Portugal), Benvinda Araujo (Portugal), Boskizzi (Italy), Carola Blanco (Venezuela), Cecilia Urioste (Brazil), Elizabeth Machado (France), Fernando Graça / Penousal Machado (Portugal), Jeroen Holthius (Holland), Jorge Simões (Portugal), Katie Bush (USA), Laura Castanedo (Mexico), Maro (Chile), Marco Bonvini (Italy), Moskall (Poland), Oscar Poliotto (Argentina), Patrick Millard (USA), Paulo Corte Real (Portugal), Tatiana Santos (Portugal).
International Video Screenings: Anders Weberg (Sweden), Caterina Davinio (Italy), Gruppo Sinestético (Italy), Osvaldo Cibils (Uruguay), Alysse Stepanion (USA), Arthur Tuoto (Brazil), Steven Hoskins(US)
Portughese video art screenings: António Olaio, Fernando José Pereira, Francisco Queirós, João Pombeiro, José Maçâs de Carvalho, Margarida Paiva, Maria Lusitano, Paulo Mendes, Susana Mendes Silva, Vasco Araújo.
 
VIRTUAL HUMANITIES
Porto Santo’s Biennial
1 – 30 August, 2011
(IC Zero / Porto Santo’s Biennial Production)
 
AEROPORTO DO PORTO SANTO
ANTIGO MERCADO DO PORTO SANTO
ÁTRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO SANTO
BIBLIOTECA MUNICIPAL DO PORTO SANTO
CASA COLOMBO - MUSEU DO PORTO SANTO 
CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS
CENTRO HISTÓRICO (EXTERIOR)
EDIFÍCIO HISTÓRICO DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO SANTO
ESPAÇO INTERNET DO PORTO SANTO
TERTÚLIA - CINE-CAFÉ

LISBOA - ESPAÇO CULTURAL DAS MERÇÊS (espaço expositivo visível pela internet)
LISBOA - MOTOR HAIRPORT (espaço de laboratório para intervenção urbana no Porto Santo)
LISBOA / TERTÚLIA - RESTAURANTE VIÚVA
2011 / países participantes:
Alemanha, Angola, Argélia, Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Cuba, Cabo Verde, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Guiné-Bissau, Israel, Itália, Japão, México, Moçambique, Noruega, Polónia, Reino Unido, Rússia, Síria, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan, Timor Leste, Turquia, Uruguai, Vietname e Portugal.
 
 
 

IC-zero, Cultural Association.
Association turned to production and promotion of contemporary art;
from photography to the plastic arts, from performance to video and
digital art. Direction Paulo Corte Real.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

8ª Bienal do Mercosul inaugura Casa M..........AMANHÃ................Porto Alegre

Será inaugurada na terça-feira, 24 de maio, a Casa M, um dos projetos-chave da 8ª Bienal do Mercosul. Pensada para expandir a Bienal no tempo, a Casa M é um espaço cultural dedicado à promoção, ao desenvolvimento e ao intercâmbio artístico a nível regional, nacional e internacional, com ênfase no estímulo à cena artística local. A casa, que deve permanecer aberta até dezembro, vai oferecer atividades de diferentes linguagens, mesclando artes visuais, literatura, cinema, música, dança e teatro, entre outras expressões e áreas do conhecimento.Segundo a curadora assistente da Bienal, Fernanda Albuquerque, o nome “Casa M” (de Mercosul) pretende dar ênfase ao seu caráter de “casa”, de local de integração e recepção, de situação doméstica, aberta e informal. Na programação estão previstas atividades voltadas ao público em geral e do meio artístico, como conversas, debates e workshops, entrevistas com artistas da 8ª Bienal do Mercosul, pocket-shows e mostras audiovisuais, além de ações especiais oferecidas à vizinhança. A Casa M terá uma sala de leitura, um espaço experimental de exposição (Vitrine), ateliê, área de convivência e ambientes para projeção de vídeos e debates. O Projeto Pedagógico da 8ª Bienal do Mercosul vai promover, na Casa M, cursos de formação para professores e oficinas voltadas à arte-educação.

No dia 24, acontece uma grande festa de inauguração aberta ao público: entre as 17h e as 24h, a Casa M vai receber os visitantes com uma intensa programação de performances, discotecagem, mostra de vídeos e apresentação do projeto da Bienal. Confira a programação completa abaixo.

A Casa M também vai abrigar projetos permanentes como a Vitrine - onde a cada mês um jovem artista gaúcho apresenta uma exposição de pequeno porte, instalações de três artistas – Daniel Acosta, Fernando Limberger e Vitor César, o programa Duetos - que reúne 12 artistas de diferentes áreas para utilizar a Casa M como local de trabalho e investigação, oferecendo oficinas e desenvolvendo propostas em colaboração, e o programa Combos - em que três convidados de diferentes linguagens artísticas e campos do conhecimento compartilham com o público projetos em desenvolvimento e trocam ideias sobre suas práticas. Nos programas especiais para os moradores da Rua Fernando Machado, vizinhos da Casa M, a artista plástica e professora Cláudia Sperb, vai oferecer a Oficina dos Vizinhos, onde a cada encontro são discutidas ações e realizações em conjunto, utilizando-se os espaços, conteúdos e materiais da 8ª Bienal do Mercosul.

A Casa M também vai abrigar um Programa de Residências para curadores de instituições culturais nacionais e internacionais, que serão convidados a propor conversas com o público, desenvolver oficinas e visitar ateliês de artistas locais. O programa, com duração de sete dias para cada curador, acontece nos meses de julho, agosto, outubro e novembro.

A primeira Vitrine expõe o trabalho do artista Tiago Giora, que propôs para o espaço a obra intitulada Entre. O modo como deixamos de perceber os ambientes que nos rodeiam é o ponto de partida para os projetos de Tiago Giora. Isso está presente também na obra desenvolvida para a Casa M, em que o artista parte do desenho formado pela arquitetura interna da morada para criar uma intervenção na vitrine. A obra alude à condição desse espaço de estar entre um local e outro, separando e ao mesmo tempo conectando dois ambientes. Um plano de gesso encobre parte da fachada da Casa e incorpora o local ao trabalho. O próximo artista a ocupar a Vitrine será Rogério Severo, a partir do dia 21 de junho.

Um Conselho formado por artistas, pesquisadores e agentes culturais da Capital colabora com os curadores da 8ª Bienal na concepção da programação, sugerindo eventos e profissionais no âmbito artístico, acadêmico e institucional. O Conselho é composto pelos seguintes membros:
• Alexandre Santos - professor e pesquisador do Instituto de Artes da UFRGS
• Camila Gonzatto – cineasta e jornalista
• Gabriela Motta - crítica e curadora de arte
• Jezebel De Carli - atriz, diretora de teatro e professora
• Leo Felipe – jornalista e curador
• Neiva Bohns - professora e pesquisadora do Instituto de Artes e Design da UFPel

Para o curador-geral da Bienal, José Roca, a implantação de um projeto tão complexo quanto a Casa M é essencial para aproximar evento e comunidade: “A maioria das bienais traz grandes quantidades de público durante um período curto e concentrado de duração do evento, mas, em seguida, há longos períodos em que quase não há atividade. É possível entender a Bienal também como uma instância de criação de infraestrutura”, declara Roca.

O presidente da 8ª Bienal do Mercosul, Luiz Carlos Mandelli, acredita que a Casa M amplia os canais de diálogo com a comunidade e promove a reflexão, o diálogo e a formação de público para a arte contemporânea: “esperamos que a comunidade acolha a Casa M como um local de fundamental importância para o fomento das artes em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Almejamos que este espaço siga permanentemente aberto ao público, além dos sete meses previstos para a sua duração”.

A Casa abriga uma história curiosa: a antiga moradora do sobrado, Cristina Balbão (1917-2007), estudou no Instituto de Belas Artes da UFRGS, em Porto Alegre. Estimulada por artistas e professores como Ado Malagoli, interessou-se por arte moderna, tornou-se professora do Instituto por mais 30 anos, sendo responsável pela formação de vários novos artistas e acompanhando o surgimento de diferentes manifestações artísticas. Dentre eles, Fernando Limberger, cuja obra desenvolvida para o pátio da Casa M chama-se Vermelho-Pungente (Para Dona Cristina), em homenagem à sua professora.


Programação de abertura
Dia 24 de maio, das 17h às 24h – entrada franca

Vitrine – exposição do artista Tiago Giora (até 18 de junho)
Instalações permanentes – obras de Daniel Acosta, Fernando Limberger e Vítor César

17h às 24h - Mostra de vídeos do Coletivo Avalanche
O Coletivo Avalanche apresenta uma seleção de vídeos e filmes realizados nos últimos anos.

17h30min e 19h - Lote 3, improvisação musical com Carina Levitan e Graham Mackeachan
Lote 3 é um duo de improvisação musical formado pela artista e música Carina Levitan (Brasil) e pelo contrabaixista Graham Mackeachan (Inglaterra). Isoladamente, eles tocam no mesmo horário, em lugares distintos e sem se ouvir. O som é gravado separadamente e sobreposto, formando uma única música. As performances incorporam improvisações livres e interpretações de 'graphic scores', usando escultura sonora, aparelhos eletrônicos modificados, motores, instrumentos de corda e percussão

18h - Performance musical, com Marcelo Armani
Baterista e percussionista, Marcelo Armani tem o seu trabalho voltado para a pesquisa e experimentação sonora de instrumentos de percussão e materiais de diferentes características físicas

18h às 22h - Os retirantes, teatro de animação com Maíra Coelho
A porto-alegrense Maíra Coelho trabalha na construção da imagem e do movimento, mesclando as linguagens do teatro, teatro de bonecos e o cinema de animação. Atualmente dirige um curta-metragem de animação com bonecos, em processo

20h às 22h - Discotecagem de Leo Felipe
O Dj e jornalista Léo Felipe, é também Conselheiro da Casa M

22h - Kahlúa, performance artística com Pablo Helguera
Com a colaboração do artista e educador Estevão Haeser, o artista e curador pedagógico da 8ª Bienal Pablo Helguera, realiza performance artística

23h - Apresentação da 8ª Bienal do Mercosul, por José Roca
José Roca, curador-geral da 8ª Bienal, apresenta ao público o projeto curatorial e os artistas que participam desta edição

Serviço
Casa M
De segunda a sexta-feira, das 12h às 20h | Sábado, das 10h às 18h
Rua Cel. Fernando Machado, 513 - Centro (em frente à escadaria da Rua João Manoel)
CEP 90010-321 - Porto Alegre-RS
Todas as atividades são gratuitas. Para oficinas, cursos, inscrições e informações: telefone 51 3519 7109 | casam@bienalmercosul.art.br| www.bienalmercosul.art.br/casam


Para saber mais detalhes, acesse o release completo em http://www.bienalmercosul.art.br/novo/arquivos/release_materia/1305685034.pdf

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

COLETIVO ARQ_TIPO - Bienal B




GRUPOS CONVIDADOS



GRUPPO SINESTETICO (Albertin , Sassu , Scordo ) is present : 04/dez (04 december) 2010



veja quadro completo com toda a programação da Bienal B em PortoAlegre!





20 de outubro e 20 de dezembro de 2010



Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil



Farol: Observatório de Arte



Rua Garibaldi, 872



06,13,20 e 27/nov (27 november)



(sábados)



04/dez (04 december)



(qui)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Direto da 29ª Bienal de São Paulo

clique na imagem para ampliar

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

3ª. Bienal B

Ío
Livro das tentações
Abertura: 21 de outubro de 2010, 19h.
Arquivo público estadual
Rua riachuelo, 1031 – centro histórico – porto alegre
Visitação até 26 de novembro, de segunda a sexta das 8h30 às 17h15.
Visitação fora do horário de expediente:de segunda a sexta até às 19h,
sábados e domingos das 10h às 18h
entrada pela garagem: tocar a campainha.
Este projeto faz parte da pesquisa desenvolvida por Laura Cattani e Munir Klamt, mestrandos em Poéticas do curso de
Pós-Graduação em Artes Visuais do IA - UFRGS.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Às portas da Bienal, "pixo" busca modelo de negócio no mercado de arte

Qual é o preço do "pixo"?
Para quem tenta afastá-lo da fachada da sua empresa ou residência, a lata de verniz antirabisco sai por R$ 170. Para quem quer comprá-lo, há duas opções de formato, bem mais caras: as fotografias dos ataques a prédios ou as "tags" --folhas com signos idênticos aos que os pichadores espalham pela cidade, famosas entre quem pratica a modalidade, mas que não foram assimiladas por colecionadores de arte. Ainda.
Enquanto a sociedade debatia se pichadores são artistas marginalizados ou só criminosos em busca de atenção, ou ambos, um grupo de São Paulo entrou no circuito das artes
Quem visitar a Bienal deste ano perceberá que aumentou o espaço da pichação no maior palco das artes visuais da América Latina. Em 2008, os invasores não tiveram tempo de rabiscar muito mais que um andar do pavilhão do Ibirapuera e quebrar uma vidraça do térreo para escapar da polícia.
Desta vez, os três andares da 29ª Bienal, que abre no fim do mês com o tema "arte e política", receberão materiais organizados pelo trio intitulado "Pixação SP" (composto pelo fotógrafo Adriano "Choque", 23, e pelos pichadores Djan Ivson, 26, e Rafael Guedes Augustaitiz, 26).
Augustaitiz e Ivson lideraram o ataque com spray ocorrido em 2008 ao Pavilhão Ciccillo Matarazzo, que terminou na prisão em flagrante de Caroline Pivetta, enquanto Choque registrava a performance com sua câmera Canon Rebel. Caroline ficou encarcerada na Penitenciária Feminina de Santana por 50 dias. Foi condenada a quatro anos de prisão, em regime semiaberto, por formação de quadrilha e destruição de bem protegido por lei --recorre em liberdade.
Oficialmente, a Bienal 2010 deve expor convites de festas, "tags", vídeos e fotos. Haverá também uma mesa de debates sobre o tema. Um dos nomes cogitados para mediação é o da filósofa Márcia Tiburi, para quem a pichação "é a única lírica que nos resta". CEUs (Centro Educacionais Unificados) pela cidade exibirão o DVD "100 Comédia 3", que mostra bastidores e estratégias de invasões a prédios e demarcações de parapeitos pela capital paulista (veja trailer).
A organização do evento descarta a possibilidade de pichação no pavilhão, alegando que isso "esvaziaria" a potência do que é visto nas ruas. "A pichação ocorre lá fora", diz Moacir dos Anjos, co-curador da Bienal. A questão é tratada com ambiguidade e certa provocação pelos pichadores.
"Vamos convidar o movimento e eu não tenho domínio sobre nenhum pichador. Não posso garantir nada. Se alguém vai pichar ou não, se algum quadro vai ser riscado ou não, isso aí a gente só vai saber no dia. E aí vamos ver mesmo se eles [Bienal] estão prezando mesmo pela pichação. A gente não precisa do aval de ninguém para fazer [pichar]. Se a gente quiser pichar lá tudo, desde o chão até uma obra de Antonio Dias, a gente vai, picha e foda-se", diz Ivson.
Segundo ele, a Bienal arcou com os custos da montagem do que será exposto pelo grupo (R$ 20 mil) e não houve cachê. A curadoria não comenta valores, mas afirma que pichadores receberam as mesmas condições dos outros artistas. Informa ainda que não haverá esquema especial de segurança por conta da presença de pichadores.


Elite do "pixo"
Famoso no circuito do "pixo" pelos serviços prestados entre os anos de 1996 e 2004, quando esteve no auge (literalmente) dos rabiscos em prédios de São Paulo, Ivson se define como "general" do movimento. Hoje, seu empenho é de militante.
"Estou me dedicando mais a divulgar a pichação em outras esferas. Por tudo que já fiz, para mim [a pichação comum] já deu, já tá bom. O que eu quero agora é revolução", diz.
Ivson ganha a vida como ajudante de pintor de prédios residenciais e é pai de duas crianças. "Minha carteira de trabalho é limpa, nunca fui registrado." No ano passado, viajou para a França a convite da Fundação Cartier, um pretigioso centro de arte ao sul de Paris. O cachê? Três mil euros para uma mostra retrospectiva sobre arte de rua. Atualmente, ele estuda a sondagem de uma galeria para vender as "tags" em Berlim, em uma viagem prevista para outubro.
Nas conversas com a reportagem, nos pontos de encontro da pichação em Osasco (Grande SP) e no Paissandu (centro), as entrevistas precisaram ser interrompidas mais de dez vezes. Ivson era saudado por colegas a todo instante, alguns deles dispostos a servir cerveja "na faixa" para o pichador e para a Folha.
As interrupções eram seguidas de recados como "O Djan representa!", enquanto Ivson descrevia quem chegava ("Esse moleque é pichador, quer dizer, ele tem feito mais furto que 'pixo', né..." ou "O monstrão aqui tá arregaçando os prédios lá do centro, sem massagem"). Em certo momento da entrevista, quando um grupo conversava em voz alta ao lado da reportagem, Ivson interveio: "Dá pra falar mais baixo aí? A gente tá gravando!" Silêncio imediato.
"Não sou líder. O líder intelectual é o Rafael [Augustaitiz]", diz, referindo-se ao ex-bolsista de artes visuais do Centro Universitário Belas Artes que apresentou como trabalho de conclusão de curso um ataque de "pixo" à instituição de ensino, em 2008.
O ato na Belas Artes rendeu a Augustaitiz uma visita ao 36º Distrito Policial, no Paraíso, e notoriedade como "Rafael Pixobomb". O "bomb" é um meio-caminho entre a pichação e o grafite. Em vez de traços pontudos e finos, a assinatura sai em letras mais arredondadas e ilustradas.
"Abandonei o [apelido] Pixobomb", conta Rafael. Agora, ele usa a assinatura "Opus666", e risca prédios com letras de "pixo". "Eu só somo no movimento, não tenho nenhuma pretensão de liderar. Eu gosto do barato, gosto de rabiscar mesmo", diz.
No começo de sua trajetória no "pixo", frequentadores dos "points" o achavam excêntrico. "O Rafael é um gênio, um profeta dos nossos tempos. Às vezes, eu preciso traduzir o que ele diz até para a mãe dele", diz Ivson.
Augustaitiz evita entrevistas presenciais o quanto pode. Prefere mandar "salves" por e-mail do pequeno apartamento onde mora numa Cohab do Jardim Maria Cristina, em Barueri. Quando a reportagem pediu para que escrevesse alguma coisa sobre sua participação na Bienal, redigiu: "O bom da Bienal 'internacional' é a concentração da nata de adorno-charlatões, arquitetada curatorialmente para assim podermos doutorar."
Foi Rafael quem propôs a ruptura entre pichação e a "street art" em geral. A avaliação dos pichadores era que o grafite estava sendo usado como antídoto do "pixo" --ou seja, ao pagar por um mural com grafites, os comerciantes afastavam os "garranchos". "A galera acha que a gente é Pokémon: nasce pichador e evolui para grafiteiro", diz Ivson.
Performances
Dessa ruptura saíram os "atravessos" à galeria Choque Cultural e ao painéis de grafiteiros (entre eles, o mais famoso da cidade, com traços d'OsGêmeos e bancado pela Associação Comercial de São Paulo no valor de R$ 200 mil). Aos poucos, as performances com cunho politizado e alvos grandiosos ganharam mais atenção do que a corriqueira disputa por espaços na cidade, até então razão de ser da pichação paulistana. Chegou-se inclusive a planejar um ataque de tinta e spray à Prefeitura de São Paulo, abortado em cima da hora por falta de quorum.
"É muito mais pacífico o cara sair com a tinta pra contestar do que pichar só por ego, só para dizer que é melhor do que o outro pichador. Isso ficou para trás", diz Ivson.
Todos os ataques e performances dos pichadores são registrados pelo convidado mais jovem do coletivo, o fotógrafo Adriano Choque. Apesar da relação estreita com o movimento, Choque pede para não ser denominado como pichador ou "fotógrafo de pichadores". Ele admite vir de "um universo oposto" ao dos rapazes que saem das periferias para se debruçar nos parapeitos da capital.
"Não gosto deste rótulo", afirma. "Não compartilho de todos os pontos de vista dos pichadores."
Choque já expôs em Miami e na Cidade do México e suas fotos estão na edição de agosto da revista "Piauí". Em 2011, planeja levar os registros para a Europa. Os colegas dizem que o fotógrafo tem um histórico de pichação pela cidade. Ele nega.
"Nunca fui pichador. Desconheço o motivo do Djan ter afirmado isto", diz. Questionado se já vendeu alguma foto de pichação, responde, sem revelar o preço: "Eu estou expondo, não estou?"
Por enquanto, seus retratos das ações são o material mais "lógico" para comercialização do "pixo" (ou de suas representações). Mas não os únicos. Há planos, por parte dos pichadores, de viabilizar também as folhinhas assinadas no mercado de arte. O preço?
"Estamos tirando uma base pelo que a gente se arrisca, é o preço do nosso seguro de vida. A gente nunca pensou nessa possibilidade de vender a assinatura e agora que tá surgindo não vamos facilitar", diz Ivson, para logo em seguida emendar que cada "tag" --folha em tamanho A4 com a "assinatura" do pichador-- valeria R$ 1 milhão.
A reportagem argumenta ser um valor fora de cogitação para estreantes.
"Quer um chute menor do que R$ 1 milhão? R$ 500 mil, no mínimo. A [artista] Beatriz Milhazes vendeu um crochezinho dela por R$ 1 milhão [o nome da tela é "O Mágico"]. A gente quer um milhão também, pô! Vamos ter advogado bom, vamos até tirar nossos manos da cadeia", diz, rindo.




"Acho que o mercado de arte é capaz de absorver muitas coisas. Do mesmo jeito que absorveu o grafite e absorveu, décadas atrás, materiais da arte contemporânea", avalia o curador Moacir Dos Anjos.
Para Márcia Tiburi, o que acontece nas galerias "é mera estética", e a adesão de pichadores ao mercado traz a possibilidade de "perda da revolta". "Isto não quer dizer que a garotada, os artistas, não possam exercitar a contradição --entre a rua e a galeria", explica. De qualquer forma, prossegue, "não acho que o 'pixo' ganhe com a Bienal, acho que como ação radical ele perde; mas, se os pichadores ganharem [dinheiro], quem vai poder dizer algo?"
Anarquizando no Iguatemi
Mesmo sem participar da elaboração da exposição em si, Caroline Pivetta, 25, personagem principal da "Bienal do Vazio", teve contato com curadoria e artistas da 29ª edição do evento. Seu encontro, aliás, foi marcante e ilustra bem como se dá a relação entre os pichadores e a instituição.
No meio deste ano, os curadores Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos promoveram um banquete de luxo para 300 pessoas no shopping Iguatemi (zona sul). Na lista de convidados estavam artistas e curadores estrangeiros, o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, e os pichadores, que insistiram em levar Caroline.
A organização serviu os presentes com vinho Montes Alpha Cabernet Sauvignon e espumante Chandon, num jantar elaborado pelo banqueteiro Toninho Mariutti e descrito pelos presentes como algo entre o tenso e o desconfortável.
"Nossa presença estava incomodando na festa, isso ficou claro para nós. A gente lá, conversando com os curadores, e a Carol quebrando copo, xingando geral. No final, ela saiu bêbada, desmaiada. Anarquizou total", relata Ivson.
Letícia Moreira/Folhapress
Moacir dos Anjos, curador-chefe da Bienal deste ano, durante festa no IguatemiQuestionado sobre a noite, Dos Anjos diz ser "evidente um certo desconforto". "Primeiro, por conta de toda a situação da última Bienal e, depois, porque são mesmo dois mundos à parte."
"Não lembro direito o que aconteceu, só lembro de chegar no coquetel e, depois, de o Rafael me carregar no colo na saída", relata Caroline.
É difícil achar algum artista disposto a entrar na linha de fogo de jovens da periferia com discurso agressivo, disposição declarada de "atropelar" obras alheias e que, de uma Bienal para outra, foram alçados da penitenciária à última novidade do circuito das artes.
"A maioria dos caras que estão lá dentro [da Bienal], a maioria do trabalho deles é conversa para boi dormir", dispara Ivson. Para justificar sua afirmação, cita a instalação de Nuno Ramos com urubus, "Bandeira Branca" ("Quem é ele para querer abordar o 'lado sombrio' do Brasil? Com que propriedade ele fala disso, sendo que ele é um burguês formado em faculdade?").
Procurado pela reportagem, Nuno pondera: "Prefiro quem não gosta [do meu trabalho] a quem é neutro".
Acima desse estranhamento entre artistas e pichadores, paira um medo não declarado de um novo ataque. O caso é que ninguém --nem pichadores, nem curadoria, nem artistas-- parece saber o que vai acontecer de fato na abertura desta Bienal e, se acontecer, que papel cada um deve desempenhar.
"Sinceramente? Pode ser que sim, pode ser que não. Pode ser que o pessoal cole, pode ser que ninguém vá. Tem uns caras ali do 'point' do centro que, dependendo do dia, ficam 'virado no capeta'. E tem dias que estão tudo de boa. Eu já fiz aquilo lá [ataque à Bienal], não teria muita lógica para mim", afirma Augustaitiz.
Entre os pichadores, a presença mais aguardada é a de Caroline, que está morando na região metropolitana de Porto Alegre. Mesmo depois de presa e condenada em primeira instância, ela mantém na internet uma espécie de diário da pichação (fotolog.com.br/carolsustos/), frequentado por dezenas de admiradores.
Seu advogado tem divulgado que ela não virá --o que não é confirmado pela própria. "Estamos vendo passagem para a próxima segunda-feira", diz Caroline. "Se eu não tivesse minha filha, talvez chutasse o balde novamente [na Bienal]", afirma.
Além de evitar um novo entrevero como o de 2008, a pichadora perdeu o pai de sua filha há pouco tempo. Conhecido como "Guigo", o integrante do grupo "Néticos" conheceu o preço mais alto do "pixo": aos 22 anos, despencou do oitavo andar quando tentava deixar sua marca em um prédio residencial na av. Rebouças.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

FOTÓGRAFO PARAENSE LEVA PENITENTES À 29ª BIENAL DE SP

Abre ao público dia 25 de setembro a 29ª edição da mostra internacional de artes mais importante da América Latina. Entre os artistas convidados para a mostra oficial pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, está o fotógrafo paraense Guy Veloso, com uma parte de seu ensaio documental “Penitentes” realizado durante oito anos nas cinco regiões do país.Não é por menos que a capital do Pará é considerada o berço de uma das mais criativas fotografias do país. Só para se ter uma idéia, ano passado seu conterrâneo Luiz Braga foi o representante do Brasil na Bienal de Veneza. Outros talentos de Belém são Elza Lima, Paula Sampaio, Flávya Mutran, Miguel Chikaoka (fundador da famosa Fotoativa) entre muitos outros. BioGuy Veloso, 40 anos, nasceu e trabalha em Belém-PA, metrópole culturalmente pulsante de 2 milhões de habitantes no coração da Amazônia. De formação acadêmica em Direito (1991), é fotógrafo independente desde 1988 com diversas publicações nacionais e internacionais.Já em 1998 realizou, com apoio técnico de Antonio Fonseca, o primeiro vernissage transmitido ao vivo pela Internet no Brasil, um dos pioneiros do gênero no mundo. Em 2005 também começa a atuar como curador. No mesmo ano integra o livro Fotografia no Brasil: Um Olhar das Origens ao Contemporâneo de Angela Magalhães e Nadja Peregrino.Em ensaios autorais usa apenas lentes 35mm para, como ele diz, “ter que chegar ainda mais perto das pessoas”, o que em muitos casos acaba torna-se um verdadeiro “corpo-a-corpo” durante grandes procissões e romarias. Da mesma forma, ainda utiliza equipamento analógico com filmes em preto-e-branco ou diapositivos como uma solução estética elaborada para seu estilo, algo raríssimo hoje em dia. “Ao menos por enquanto, sem radicalismos” – revela o fotógrafo.Para o curador Rubens Fernandes Jr., “as imagens de Veloso surpreendem pelo non sense, pelo surreal, pela completa dissonância entre o mundo real e o outro mundo”. Já Marisa Mokarzel, curadora, relata: “as cenas existem, mas a imagem, a estética é própria de Guy Veloso que potencializa o real lançando-o no limite do medo”. Seus trabalhos compõe os acervos da University of Essex Collection of Latin American Art, Colchester-Inglaterra; Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal; Museu da Fotografia de Curitiba; Coleção Joaquim Paiva; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Pirelli/MASP.Sua mais recente individual, Alquimia, curada por Patricia Gouvea e Claudia Buzzetti, inaugurada em março de 2010 no Espaço Cultural Ateliê da Imagem segue itinerando pelo país. PenitentesSão Confrarias laicas que saem rezando noite a dentro em determinadas épocas do ano pelas almas que acreditam estarem “presas” no Purgatório, sempre cobertos com lençóis ou mantos a fim de preservar suas identidades e, em alguns casos, flagelando seus corpos com chicotes.O autor fotografa e estuda compulsivamente este assunto desde 2002. Em 2009 foi o primeiro pesquisador a levantar a teoria de que estes grupos de “Penitentes”, também chamados “Alimentadores de Almas” ou “Irmãos das Almas”, parte deles de difícil acesso ou até secretos, poderiam ocorrer nas 5 regiões do país. No ano seguinte provou e publicou sua teoria cobrindo o país inteiro, com (até agora) 116 grupos documentados. As fotos da BienalAs 16 imagens escolhidas para a Bienal são parte de um ensaio maior chamado Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo. Foram eleitas entre as milhares produzidas nestes oito anos levando em conta a dramaticidade do assunto e a estética do autor, tendo a assistência da curadora Rosely Nakagawa na seleção – que acompanha o Projeto desde de seu início.Quatro dessas fotos possuem erros técnicos não provocados. Equívocos assumidos mesmo: duas são resultado de problema na cortina da máquina analógica, outra causado por erro na revelação e, o mais gritante, uma dupla exposição acidental de um filme. “Um erro primário, como sempre digo sem nenhuma vergonha” – confessa o fotógrafo.A 29ª Bienal de SP abrirá ao público dia 25 de setembro e tende a ser um marco na história recente das artes do país. Site do fotógrafo:www.fotografiadocumental.com.br
25 de setembro - 10h: Abertura ao público da 29ª Bienal de São Paulo
Horários de funcionamento

De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h. 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h.
Sábado e domingo: das 9 às 19h.
29ª Bienal de São PauloDe 25/9 a 12/12, Parque do Ibirapuera, portão 3,Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Entrada franca.

sábado, 28 de agosto de 2010

Bienal - Inscrições

Colegas Artistas!

As inscrições para a BIENAL B foram prorrogadas para 31/agosto.

Motivo: Fechamos uma parceria com a RBS / TVCom.
Em outras palavras, teremos vídeo, na TV, spot de rádio, bandeiras de sinalização, mapa/encarte na ZH, documentação fotográfica.... tudo o que nunca tivemos!

É a hora de todos nós colocarmos o bloco na rua!

Vamo que vamo, nosso evento está crescendo e ganhando a nossa cara!

MONTE SEU GRUPO!
Abraços a todos,
(Qualquer dúvida, estou à disposição.)

Isabel de Castro
icastro@espm.br

Coordenadora e Curadora Geral da Bienal B
www.bienalb.org

www.isabeldecastro.pro.br
FAROL: Observatório de Arte
www.farol872.com.br
(51)3239.9921 ou (51)9996.9900