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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Noel Rosa

Agora um pouco de cultura boêmia.

A música que Noel Rosa fez em Porto Alegre
“O samba, na realidade, não vem do morro. Nem lá da cidade.
E quem suportar uma paixão, sentirá que o samba então... Nasce no coração.”
Noel Rosa

Há mais de duas semanas a imprensa de Porto Alegre vem anunciando a chegada dos Ases do Samba. O Cine-Teatro Imperial faz publicar nos jornais anúncios onde se lê: “Eles custam... mas vêm.” Cria-se uma expectativa. A estréia, segundo o mesmo anúncio (que aliás chama Mário Reis de “doutor”, promete a presença de Lamartine Babo e refere-se a Noel como “Noél Rosas”, com acento agudo no primeiro nome e um esse a mais no segundo), está marcada para sexta-feira, 29 de abril. Será o começo de uma temporada inesquecível, plena de música, emoção e sobressalto.
Chegam a Porto Alegre poucas horas antes do espetáculo. E já que cada qual tem de pagar hospedagem do próprio bolso, separam-se assim que pisam em terra. Mário Reis e Francisco Alves, de carteira mais providas, vão para o conforto do Grande Hotel. Pery Cunha, Nonô e Noel, para quartinhos apertados de uma pensão barata da Rua Clara (atual João Manuel), perto da Riachuelo. Pode não ser o Grande Hotel, mas tem lá os seus favores. De pontos em pontos, numa e noutra calçada, venezianas entreabertas apenas insinuam vultos de mulher que lá de dentro chamam os transeuntes para um “instante”. Ou seja, um amor ligeiro e econômico. São as chamadas casas alegres de uma rua onde se encontram também dois ou três botequins vagabundos, freqüentados por uma população pobre, noturna e meio vadia.
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Os Ases do Samba ficam uma semana no Imperial. Nos dias 6, 7 e 8 de maio atuam no Carlos Gomes e, em seguida, estendem a excursão a outras cidades do Estado, Caxias do Sul, São Leopoldo, Cachoeira do Sul, Rio Grande, Pelotas.
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Voltam a Porto Alegre para uma nova série de apresentações nos últimos dias de maio. A essa altura já é quase impossível encontrar Noel fora do palco. Ele e Nonô continuam entregues às suas expedições boêmias à Rua da Praia, aos cabarés mais ordinários, aos botequins mais escondidos. Isso enquanto Mário e Chico vão engravatados ao Clube Jocotó divertir-se com a alta classe média porto-alegrense, ou ao Caçadores, na Rua Nova (atual Andrade Neves), em velhos tempos o preferido de Getúlio Vargas. Mas os desaparecimentos de Noel são ainda mais demorados que os de Nonô. Na verdade, ele é o mais “ocupado” de todo o grupo. Bem em frente à pensão da Rua Clara – na qual volta a hospedar-se – mora uma bonita morena que ele conheceu uma noite dessas, talvez de janela, talvez de prosa de esquina. Noel, como de hábito, se apaixona. Uma paixão breve, mas intensa, que o agasalha nestes frios dias de outono. Já não adianta Francisco Alves correr atrás dele, reunir os outros Ases do Samba para uma busca pela cidade. Não vai encontrá-lo. Nonô e Pery sabem, mas não dizem, que em vez dos ensaios à tarde o amigo prefere os carinhos do novo amor. Com se chama?
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Uma paixão breve, mas intensa. O suficiente, pelo menos, para encher de tristeza o coração de Noel Rosa no dia do embarque para Florianópolis. Como o próprio Noel contará daqui a alguns anos numa entrevista (Carioca, 18 de julho de 1936 – página 41), na véspera de tomar o navio conversa com a morena, ele da sua pensão, ela na janela da casa em frente. Chove muito. Noel gostaria que estivessem juntos em vez de separados pelo aguaceiro que desaba sobre a rua estreita. Alguém a chama lá de dentro. A morena entra apressada, com tempo apenas para dizer:
- Até amanhã...
Não haverá amanhã. Noel viaja sem voltar a vê-la. No navio que o leva de Porto Alegre a Florianópolis, completa o samba que começou a escrever no seu quarto de pensão:
Até amanhã, se Deus quiser,
Se não chover eu volto pra ter ver,
Oh, mulher!
De ti gosto mais que outra qualquer,
Não vou por gosto,
O destino é quem quer.
Adeus é pra quem deixa a vida.
É sempre na certa em que eu jogo
Três palavras vou gritar por despedida:
“Até amanhã! Até já! Até logo!”
O mundo é um samba em que eu danço,
Sem nunca sair do meu trilho.
Vou cantando o teu nome sem descanso,
Pois do meu samba tu és o estribilho.
E mais uma quadrinha que esperará seis décadas para ser conhecida pelo público:
(Gravada em 1983 como uma das vinhetas do disco Noel Rosa Inédito e Desconhecido)
Eu sei me livrar do perigo,
No golpe de azar eu não jogo.
É por isso que risonho eu te digo:
“Até amanhã! Até já! Até logo!”
(Pesquisa do livro “Noel Rosa – uma biografia”, de João Máximo e Carlos Didier)
Editora UnB


quarta-feira, 26 de maio de 2010

GUSTAVO MAGNO - music - "Divina Virtude"

Foto de MÔNICA CÂMARA
O endereço é
http://www.gustavomagno.com/


MUDANÇAS


:-) O "site" do compositor Gustavo Magno mudou e vale muito nele navegar.
Cinco faixas do novo CD de GM - do "cast" da Atracão Fonográfica, de São Paulo - podem ser baixadas gratuitamente em MP3, no "site": "Papo virtual", "Divina virtude", "Amores eternos", "Mãe gentil" e a adaptação que ele fez com Carlos Aranha dos "Versos íntimos", de Augusto dos Anjos.
:-) No "site", estão ainda:


VÍDEOS
Vídeos completos de apresentações, ao vivo, das músicas "Velha roupa colorida", "Divina virtude", "Versos íntimos" e um mix mostrando os gêneros diferentes que Gustavo interpreta em seu show.


PLAYLIST
Um programa onde podem ser escutadas todas as músicas do CD "Divina virtude", além das cinco disponíveis em "download".


LIVRO "UM"
Pode ser feito o "download" gratuito do primeiro livro de Gustavo Magno, "Um", que está esgotado.


O ARTISTA
São curiosidades, "releases", entrevistas publicadas na imprensa e fotografias de shows.


LINKS
São textos de Gustavo, curiosidades, o manifesto do poptrovadorismo e cifras de algumas músicas.


O SOM
Capas dos discos "Em terra de cego" e "Divina virtude", com a íntegra de todas as letras.


BLOGOSFERA
"Link" para o blog do artista, "Divina virtude".


FOTOS
Fotografias em alta resolução, para divulgação em qualquer meio, feitas por Cácio Murilo.


COMPRA
"Link" para quem quer comprar o segundo livro de Gustavo Magno, "Todo jornal que eu leio" (R$ 5, 00), e seu primeiro CD, "Em terra de cego" (R$ 12,00).


LIVRO DE VISITAS
Além do blog, um espaço para interatividade com os internautas.


:-) Também há orientação e "link" para contratação de show com Gustavo Magno, nos formatos médio (semiacústico) e com banda completa e vocalistas.


ATENÇÃO!!!
O CD "Divina virtude" só está à venda através dos "sites" das lojas virtuais Americanas.com, Submarino, Shop MTV, Amazon.com, e da gravadora Atração.


No final desta mensagem, transcrição da letra de "Papo virtual" (música que abre o CD "Divina virtude" e pode ser escutada no www.gustavomagno.com).


@ "DIVINA VIRTUDE" FOI GRAVADO TENDO DIREÇÃO ARTÍSTICA DE BELCHIOR E DIREÇÃO DE PRODUÇÃO DE CARLOS ARANHA.


PAPO VIRTUAL
(de Gustavo Magno)


Palavras, sonhos, pensamentos.
Cada cabeça é um um mundo, um universo, sem saber decifrar tanto mistério,
entender tanto caminho.
Em naves, em nuvens, sementes germinam.
Em novas mentes, sentimentos falam,
tentando decifrar tanto mistério,
tentando entender tanto caminho.
Querendo saber um pouco mais sobre nós mesmos.
Conhecer um pouco mais os nossos nós.
Encontrar a exata solução pela linha telefônica.
Abrir o que é real - o coração - num bate-papo virtual.
Descobrir o mundo, fazer contato, encontrar novo canal.
Completamente marciano, marginal,
ET exposto aos códigos do mundo,
continuo um poptrovador
vivendo a ilusão dos filmes de paixão.
Continuo um poeta sonhador
vivendo o clima dos filmes de terror.
Sou estrangeiro lá e cá,
vivo entre o sonho e o destino.
A TV diz ter tudo a ver comigo.
Não vejo meu rosto refletido na tela.
Pela janela, quero ver uma estação espacial.
Coisa do século XXX é minha comunicação com as estrelas.
Coisa de outro planeta.
Um contato imediato e natural.
Querendo saber um pouco mais sobre nós mesmos.
Conhecer um pouco mais os nossos nós.
Encontrar a palavra mais certa nas páginas de um velho dicionário.
Abrir o que é real - o coração - dizendo uma frase original.
Descobrir o mundo, fazer contato, encontrar novo canal.


ACESSE
www.gustavomagno.com


E TAMBÉM DESEJE
"ENCONTRAR O SOL COMO DESTINO"


@ SER OU NÃO SER FERA?


"O homem que nesta terra miserável mora entre feras
sente inevitável necessidade de também ser fera".


Os "Versos íntimos", de Augusto dos Anjos, estão na quarta faixa do segundo CD do poptrovador Gustavo Magno, cujo "site" é um dos mais visitados da nova MPB.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Beethoven


Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de março de 1827) foi um compositor erudito alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem, como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. “O resumo de sua obra é a liberdade,” observou o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937), “a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida.”

Foi em Viena que lhe surgiram os primeiros sintomas da sua grande tragédia. Foi-lhe diagnosticado, por volta de 1796, tinha Ludwig os seus 26 anos de idade, a congestão dos centros auditivos internos, o que lhe transtornou bastante o espírito, levando-o a isolar-se e a grandes depressões.

No entanto, o seu verdadeiro génio só foi realmente revisado com a publicação das suas Op. 7 e Op. 10, entre 1796 e 1798: a sua Quarta Sonata para Piano em Mib Maior, e as suas Quinta em Dó Menor, Sexta em Fá Maior e Sétima em Ré Maior Sonatas para Piano.

Em 2 de Abril de 1800, a sua Sinfonia nº1 em Dó maior, Op. 21 faz a sua estreia em Viena. Porém, no ano seguinte, confessa aos amigos que não está satisfeito com o que tinha composto até então, e que tinha decidido seguir um novo caminho. Em 1802, escreve o seu testamento, mais tarde revisto como O Testamento de Heilingenstadt, por ter sido escrito na localidade austríaca de Heilingenstadt, então subúrbio de Viena, dirigido aos seus dois irmãos vivos: Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) e Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848).
Finalmente, entre
1802 e 1804, começa a trilhar aquele novo caminho que ambiciona, com a apresentação de Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, Op.55, intitulada de Eróica. Uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do período Romântico, na Música Erudita. Os anos seguintes à Eroica foram de extraordinária fertilidade criativa, e viram surgir numerosas obras-primas: a Sonata para Piano nº 21 em Dó maior, Op.53, intitulada de Waldstein, entre 1803 e 1804); a Sonata para Piano nº 23 em Fá menor, Op.57, intitulada de Appassionata, entre 1804 e 1805; o Concerto para Piano nº 4 em Sol Maior, Op.58, em 1806; os Três Quartetos de Cordas, Op.59, intitulados de Razumovsky, em 1806; a Sinfonia nº 4 em Si bemol Maior, Op.60, também em 1806; o Concerto para Violino em Ré Maior, Op.61, entre 1806 e 1807; a Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67, entre 1807 e 1808; a Sinfonia nº 6 em Fá maior, Op.68, intitulada de Pastoral, também entre 1807 e 1808; a Ópera Fidelio, Op.72, cuja versão definitiva data de 1814; e o Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol Maior, Op.73, intitulado de Imperador, em 1809.
Ludwig escreveu ainda uma Abertura, música destinada a ilustrar uma peça teatral, uma tragédia em cinco actos de
Goethe: Egmont. E muito se conta do encontro entre Johann Wolfgang von Goethe e Ludwig van Beethoven.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ALL IN ONE, CD BEBEL GILBERTO

Além da bossa nova revisitada que virou marca registrada de Bebel Gilberto, o novo álbum da cantora traz, digamos, a bossa nova "globalizada": gravado na Jamaica e no Brasil, finalizado em Nova York, tem como produtores Mark Ronson (a quem se atribui o sucesso de Amy Winehouse), Carlinhos Brown e Daniel Jobim (neto de Tom). Esse conjunto só serve para aumentar a bacaneza de Bebel, como se ela já não fosse o que há de mais bacana.
Batizado All in One, o álbum, lançado há dois dias nos Estados Unidos, já está sendo bastante comentado pela crítica especializada (sobretudo na internet, lógico). Com 12 canções (seis inéditas, que ela compôs sozinha ou com parceiros), All in One conta com covers de Steve Wonder, Bob Marley e Carmen Miranda, além de um dueto com Daniel Jobim em uma composição clássica de seu pai, Bim Bom. É bonito de ouvir... Esse trabalho novo de Bebel é o primeiro álbum do selo americano Verve, especializado em jazz.
Gostou? O CD está à venda na Amazon - é só encomendar. Afinal, quem resiste à bossa - revisitada e globalizada - da moça?
WWW.BEBELGILBERTO.COM

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Raul Seixas - 20 anos de metamorfose

Por Mário Lucena

Raul nasceu para a música. Preparou-se para a vida cantando. Cresceu ouvindo Elvis Presley e outros grandes nomes do rock. Imitando seus ídolos fez sucesso em Salvador.

Comunicava-se por meio da música. Tornou-se compositor. Criou o que chamou de ie-ie-ie realista. Fez sucesso na voz de Jerry Adriani e interpretes da Jovem Guarda. Mudou-se em 1968 para o Rio de Janeiro e gravou seu primeiro disco. Foi um fracasso. Passou fome e desistiu da empreitada.

Quando voltou ao disco, em 1971, não ofereceu nada pronto ao ouvinte. Sua música questionava a vida e a morte, a existência, o mundo, o certo e o errado. Raul se questionava. Aos 21 anos havia dado a volta por cima e conseguido tudo o que um homem comum poderia desejar: carro, apartamento, mulher, filha e emprego de executivo numa multinacional.

Morava no Rio de Janeiro, uma das cidades mais belas do mundo. Reconhecia tudo isso, mas "não era o que queria" (Êta Vida). Estava infeliz, pois seu querer era a música. A metamorfose física ocorreu em 1972. Largou o cargo de executivo da gravadora CBS, deixou de lado o paletó e a gravata, deixou crescer cabelo e barba e voltou a imitar Elvis Presley num festival de música promovido pela Globo. Apresentou-se ao Brasil como cantor de rock, mas era muito mais.

Outra metamorfose, ocorrida com a leitura de filósofos reducionistas como Schopenhauer, havia transformado Raulzito em Raul Seixas. O que o imortalizou foi sua autenticidade. Em 1968 citou Schopenhauer na composição Trem 103: Consciente de voltar por onde vim. O trem, a composição, veículo da morte-renascimento, torna-se presença constante na sua obra. Aparece com destaque em 1973 (A hora do trem passar) e em 1974 (Trem das sete). Em 1989, ano de sua morte, Raul expressou o desejo de mudar a direção do trem (Carpinteiro do universo). O voltar por onde vim, de Schopenhauer, será repetido de todas as formas possíveis (Tudo acaba onde começou; Meu princípio já chegou ao fim; O caminho da vida é a morte; A gente nasce no fim; É mais um que nasce e começa a morrer; Já não sei se é hora de partir ou de chegar; No momento em que eu ia partir, eu resolvi ficar). Nenhum parceiro, por mais criativo ou influente, o desviou dos trilhos. Seguiu com coerência os passos da filosofia. Em alguns momentos citou Protágoras, Sócrates, Platão, Sartre, mas suas principais fontes foram o hermético Crowley e o pessimista Schopenhauer.

Ambos traziam o hinduísmo na veia, herdado por Raul. Foi na pele de Krishna que cantou seu maior sucesso, Gita. De Crowley, Raul abstraiu a proposta mística-liberal. Levou-a ao público a partir de 1974 como Sociedade Alternativa. Mesmo sem a benção da censura, recitava os versos da Lei de Thelema ou Lei da Vontade (de Crowley e Schopenhauer) em meio ao refrão da Sociedade. A Lei só seria liberada em 1988 e, por sua causa, Raul se viu em apuros: preso, torturado e exilado pela ditadura. Mosca na sopa é Schopenhauer (Se a mosca, que agora zumbe em torno de mim, morre à noite, e na primavera zumbe outra mosca nascida do seu ovo; isso é em si a mesma coisa), mas para não deixar dúvida sobre sua fonte mais rica, em 1983, pegou do filósofo um trecho do capítulo Morte, do livro Dores do Mundo, para usar em Nuit: Quão longa é a noite do tempo sem limites, comparada ao curto sonho da vida. Raul era genial no que fazia e conquistou uma legião de fãs exatamente por não ser egoísta, por compartilhar seu conhecimento sem medo.

Como um herói mitológico foi ao inferno e voltou várias vezes. Encarnou o niilismo, foi Sísifo subindo e descendo a ladeira da fama. A angústia de morte era seu tormento. Sofreu a espera da dama de cetim. Sua morte teria sido triste se não tivesse retornado aos palcos e ao disco, em 1989, na companhia de Marcelo Nova, para testemunhar sua imortalidade.

Vinte anos após sua morte, Raul resolveu se revelar! Ivan Cardoso faz exposição com fotos inéditas; o produtor Mazola lança kit-DVD no qual o artista canta gospel; Edmundo Leite, do Estadão, escreve uma biografia completa; Walter Carvalho e Evaldo Moca finalizam o documentário O início, o fim e o meio; A Globo prepara o especial Por toda minha vida; a revista Caros Amigos promete Edição Especial e a Rolling Stones uma grande matéria; Centenas de espaços culturais promovem atividades durante o mês de agosto para lembrar o cometa baiano. Raul está mais vivo do que nunca!

Metamorfose Ambulante (Vida, alguma coisa acontece; Morte, alguma coisa pode acontecer). Este é o título do livro de minha autoria e mais dois colegas psicólogos, sob a coordenação de Sylvio Passos. Um livro de revelações bombásticas. A relação de Raul com a filosofia (Schopenhauer, Crowley, Sartre etc), parceiros (Paulo, Cláudio, Motta etc), imprensa (disco voador, drogas, Jerry Lee, John Lennon etc), família e até com o capeta!

Mário Lucena é editor, jornalista, bacharel em psicologia e conviveu com Raul Seixas entre 1981 e 1982.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A Banda - 1966

Marcha
Letra e Música de Chico Buarque de Hollanda
Intérprete: Nara Leão e Chico Buarque




Chico (Francisco Buarque de Hollanda), nascido no Rio de Janeiro em 19/06/1944, filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, mudou-se aos dois anos com a família para São Paulo. Sua casa era frequentada pelos grandes intelectuais do país - devido aos conhecimentos e relacionamentos do pai. Em 1952 a família mudou-se para a Itália, onde o pai foi lecionar; retornaram ao Brasil dois anos depois, indo residir em São Paulo.
Foi em São Paulo que Chico viveu sua adolescência e juventude; estudou no Colégio Santa Cruz, de padres canadenses, um dos melhores da Paulicéia, que dava muita ênfase aos aspectos sociais e artísticos dos alunos, onde Chico pôde desenvolver suas imensas potencialidades. Estava assim formada a trinca necessária ao sucesso: sensibilidade e talento de Chico, ótima herança cultural familiar, e oportunidades estimuladas no Colégio Santa Cruz.
Assim sendo, desde muito cedo Chico envolveu-se em atividades sociais no Santa Cruz, como a OAF (Organização de Auxílio Fraterno) que visava recolher roupas e alimentos para mendigos.
Já no colegial, no mesmo Santa Cruz, Chico destacava-se como futebolista e cronista no jornal da escola; escreveu nessa mesma época suas primeiras composições: "Canção dos Olhos" e "Anjinho"; participou também de espetáculos teatrais na escola.
Ingressou na FAU - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, tendo cursado até o terceiro ano, quando desistiu da arquitetura para dedicar-se à música.
É considerado um dos compositores mais produtivos e mais eruditos da MPB, sendo autor de mais de 300 composições, tanto só como com inúmeros parceiros: Edu Lobo, Djavan, Francis Hime, Tom Jobim, Roberto Menescal, Vinicius de Moraes, Toquinho e outros. Desde1965 participou ativamente como compositor e cantor em festivais, espetáculos teatrais e cinema.
A partir dos anos 90 sua produção musical diminuiu, passando a dedicar-se mais à literatura.
Aos 22 anos, com apenas 30 composições, foi o mais jovem artista a prestar depoimento no importante MIS - Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, quando o então diretor do MIS, Ricardo Cravo Albin, comparou a obra de Chico à de Noel Rosa. O jornalista Millôr Fernandes considerava Chico "a única unanimidade nacional".
Suas músicas de maior sucesso foram: "Tem mais samba", "A Rita", "Pedro pedreiro", "Amanhã ninguém sabe", "Olê olá", "Construção", "Com açúcar e com afeto", "Atrás da porta", "Feijoada completa", "Mulheres de Atenas", "O meu amor", "Olhos nos olhos", "A banda" e muitas outras.
Casado durante mais de trinta anos com a atriz Marieta Severo, tiveram três filhas.
Sua música "A banda", participando do festival de MPB da TV Record de 1965, interpretada por Nara Leão, foi julgada vencedora pelo júri. Devido aos apelos populares em favor da concorrente "Disparada", que estaria perdendo para "A banda", antes da decisão final do júri, Chico exigiu do mesmo júri que fosse considerado "empate" entre as duas músicas. Este gesto demonstra toda a grandeza de caráter de Chico.

Dárcio Fragoso

Música:
A Banda
Autoria: Letra e Música de Chico Buarque de Hollanda
Interpretação: Nara Leão e Chico Buarque
Pesquisas e História por Dárcio Fragoso