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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A FÚRIA DO PALHAÇO TRISTE - A Balada do Amor...............cinema..............................Porto Alegre


 
ESTREIA  EXCLUSIVA
GUION CENTER 2
BALADA DO AMOR E DO ÓDIO – 108MIN/ 16 ANOS                                                                                                                     
Sexta/19, Sáb/20 e Dom/21  
14h45 – 16h45 – 18h45 – 20h45                        
Segunda/22 a Quinta/25
15h – 18h45 – 20h45  
 
A BALADA DO AMOR E DO ÓDIO –  ESTREIA NESTA SEXTA COM EXCLUSIVIDADE NO GUION CENTER.  
LEÃO DE PRATA no FESTIVAL DE VENEZA (MELHOR DIRETOR E MELHOR ROTEIRO), indicado a 13 prêmios GOYA 2011 (MAQUIAGEM e EFEITOS ESPECIAIS)!
Filme do irreverente cineasta espanhol ÁLEX DE LA IGLESIA, nome artístico de ALEJANDRO DE LA IGLESIA MENDOZA, nascido em Bilbau no País Basco.
Alex é um dos mais populares e bem sucedidos cineastas espanhóis e seu filme tem a maior parte de sua ação nos últimos períodos do franquismo.
Exuberante, caótico, barroco, passional, alegórico e exige que o espectador embarque numa aventura ao estilo de uma montanha-russa.
Entre seus filmes estão os dois exibidos pelo Guion PERDITA DURANGO/1997 e CRIME PERFEITO/2004, além de  ENIGMAS DE UM CRIME/2008,
Presença do Mal (Películas para no dormir: La habitación del niño) (2006)
800 BALAS/2002 e O DIA DA BESTA/1995 com o qual obteve seis Prêmios Goya (entre eles o de Melho Direção),
Desde 2009 é o presidente da ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS. 
Durante a Guerra Civil espanhola, o Palhaço Branco, recrutado a força pela milícia destrói a foiçadas os soldados do Exercito Nacional sempre vestido de palhaço.
Muitos anos depois, Xavier, o filho do palhaço vai trabalhar como o Palhaço Triste num circo onde encontra figuras das mais extraordinárias.
Ali ele encontra Sergio, outro palhaço. É o início da historia dos dois na luta pelo amor da mais bonita e sedutora mulher do circo.
 
 
 
 
 
"BALADA DO AMOR E ÓDIO" retrata Espanha pós-Guerra Civil
Plantão | Publicada em 11/08/2011 às 11h13m
Reuters/Brasil Online
 SÃO PAULO (Reuters) - Para o diretor espanhol Alex de La Iglesia, o palhaço é uma figura arquetípica na Espanha - tanto quanto o padre ou o toureiro.
Como fez em filmes anteriores, como "800 Balas" (2002) e "Crime Ferpecto" (2004), mais uma vez ele escolhe a figura do habitual protagonista cômico dos circos para conduzir a trama de "Balada do Amor e do Ódio" - o drama por vezes grotesco, mas sempre fascinante, que venceu os prêmios de melhor direção e roteiro no Festival de Veneza 2010.
No centro da história, roteirizada também por De La Iglesia, estão, na verdade, vários palhaços, permitindo estabelecer não só um diálogo entre gerações mas também entre as duas épocas do filme, 1937 e 1973, sinalizando a véspera do início e a fase final do franquismo (que começou em 1939 e acabou apenas em 1976).
Em 1937, os palhaços tentam fazer o show continuar, apesar da Guerra Civil que está ensanguentando um país extremamente dividido. Acuados pelas forças franquistas, mais organizadas e em maior número, os republicanos caçam voluntários para lutar.
Um dos palhaços (Santiago Segura), ainda dentro de um vestido e com peruca de mulher, acaba indo, armado apenas de um machete. Apesar disso, faz um estrago considerável entre os franquistas, que o levam à prisão, depois à morte.
O palhaço tinha um filho, Javier, que, ao crescer (interpretado por Carlos Areces), abraça a profissão do pai, tornando-se o Palhaço Triste num circo em Madri, em 1973. Lá, o rei absoluto é o Palhaço Gracioso, Sérgio (Antonio de La Torre), casado com a bela trapezista Natalia (Carolina Bang).
A violência marca a relação entre Sérgio e Natália, numa simbiose doentia, à qual se soma o amor de Javier pela moça. Essa espiral de paixão, loucura e violência dentro do circo só encontra paralelo na realidade imediata de uma Espanha que se debate nos estertores da ditadura franquista, sacudida por atentados como o que mata o presidente do governo Carrero Blanco, em 1973.
De La Iglesia constrói habilmente essa tensão da história passional, em desdobramentos cada vez mais imprevisíveis. Ao mesmo tempo, deixa claras as pegadas de sua inspiração na história real da Espanha, intercalando trechos de filmes da época ao mostrar o general Francisco Franco e o atentado contra Carrero Blanco, além de shows dos famosos Payasos de La Tele, populares na TV espanhola dos anos 70, infância do cineasta.
Amarrando as pontas da dualidade extrema que procura compor da mentalidade de seu país, o diretor encena uma vertiginosa sequência final no Vale dos Caídos - o polêmico monumento construído por Franco entre 1940 e 1958 para abrigar, compulsoriamente, os mortos dos dois lados da Guerra Civil.
Neste cenário, a fotografia fortemente contrastada de Kiko De La Rica e a sofisticada direção de arte de Eduardo Hidalgo materializam toda a ambição do diretor, que realiza aqui sua obra mais madura e impactante. (Neusa Barbosa, do Cineweb)
 
 
 
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GUION CENTER CINEMAS
CENTRO COMERCIAL NOVA OLARIA
Rua Lima e Silva, 776 - (51)  3221-3122 – 3212-0250 (RAMAIS)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Filmografia de Hitchcock ocupa São Paulo por seis semanas

MARCO RODRIGO ALMEIDA
DE SÃO PAULO


Poucos artistas do século 20 tiveram a vida e a obra tão devassadas como o cineasta inglês Alfred Hitchcock (1899-1980).

Desde 1957, quando os franceses Claude Chabrol (1930-2010) e Éric Rohmer (1920-2010) publicaram a coletânea de ensaios "Hitchcock" --o primeiro trabalho importante sobre ele--, centenas de documentários, livros, teses e o que mais a criatividade humana permitiu tentaram destrinchar cada aspecto de sua carreira.

Talvez o maior elogio que podemos fazer a ele é que, à parte todas as teorias, os filmes do mestre do suspense continuam tão intrigantes hoje quanto à época em que foram lançados.

O público de São Paulo terá mais uma prova disso a partir de amanhã, quando estreia, no Centro Cultural Banco do Brasil, a mais completa retrospectiva já dedicada ao cineasta no Brasil.

Até o dia 24 de julho, serão exibidos 54 longas-metragens, três curtas e 127 episódios da série de TV que Hitchcock comandou entre os anos 1950 e 1960.

Apenas alguns trabalhos hoje considerados perdidos, como o média-metragem "The Mountain Eagle" (1926) e alguns curtas do início da carreira, ficaram de fora.

Para os fãs, é a oportunidade de ver, na tela de cinema, um panorama de toda a produção de Hitchcock, além de conferir aspectos menos conhecidos da obra do artista.

Um fragmento de nove minutos de "Sempre Conte a sua Esposa", única parte conservada de um curta-metragem que Hitchcock codirigiu em 1923, é o trabalho mais antigo a ser exibido.

O trecho passará na abertura da mostra, às 10h, com "O Jardim dos Prazeres", primeiro longa do diretor.

Os outros dois curtas da programação, "Bon Voyage" e "Aventure Malgache", ambos de 1944, foram produzidos como peças de propaganda para o Ministério de Informação do Reino Unido durante a Segunda Guerra.

Da fase de Hitchcock no cinema mudo, ainda na Inglaterra, estão presentes raridades como "O Inquilino" (1926), seu primeiro grande sucesso, e "O Aviso" (1927).

Já "Chantagem e Confissão" ("Blackmail", 1929) passará em suas duas versões, muda e sonora.

Ainda no campo das raridades, há episódios de séries, como "Alfred Hitchcock Apresenta" e "The Hitchcock Hour". De 127, 20 tiveram realmente sua direção.

Para não falar, é claro, do prazer de rever as principais obras do cineasta, como "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo que Cai" (1958), "Intriga Internacional" (1959) e "Psicose" (1960), no cinema.

"Um diretor tão excepcional não poderia ser tema de uma retrospectiva qualquer", diz o curador da mostra, Arndt Roskens.

Alemão radicado no Brasil, Roskens trabalhou nos festivais de Berlim e do Rio e organizou, no ano passado, outra retrospectiva, de Yasujiro Ozu (1903-1963).


GARIMPO

Ele levou quase um ano para reunir todas as cópias dos filmes que serão exibidos na mostra. Elas vieram de cinematecas e museus de vários países, como EUA, França e Inglaterra. A que mais viajou foi "Juno e Paycock" (1930): veio da Austrália.

Curiosamente, a cópia mais difícil de localizar foi a do filme "Ladrão de Casaca" (1955), um dos maiores sucessos de Hitchcock.

Após meses de procura, Roskens encontrou uma distribuidora francesa que detinha os direitos do filme.

Os esforços valeram a pena: a mostra vai apresentar uma cópia nova do filme, nunca exibida antes.

As demais cópias da mostra, apesar de não terem sido restauradas especialmente para a ocasião, estão em bom estado.


Fonte: Folha Sp

sábado, 7 de maio de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LIXO EXTRAORDINÁRIO - a reportagem - o ÓSCAR?

O filme é super atual - Arte e reciclagem; 4) São brasileiros... Concorrendo ao Oscar!
Vejam o trailer! Vejam o filme! Prestigiem nossos artistas!

segue linck pro trailer do filme "Lixo Extraordinário"

não deixem de ver.. é maravilhoso!
estréia hoje em Brasilia e ja estreeou em outras capitais no dia 21/01

ver também:

É do Brasil: Filmagem de Lixo estraordinário rendeu prêmios no Festival de Berlim e de Sundance

A produção brasileira indicada ao Oscar na categoria melhor documentário estreia em Brasília nesta semana. O longa Lixo extraordinário, dirigido por Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley, mostra como o artista plástico Vik Muniz transforma o lixo do maior aterro sanitário da América Latina em obra de arte. A atitude beneficiou os catadores de material reciclado e rendeu ao filme prêmios no Festival de Berlim e de Sundance.

Lixo extraordinário

Divulgação


(Waste land, Brasil/Reino Unido, 2010)

Sinopse: O documentário mostra o contato do artista plástico Vik Muniz com os catadores de material reciclável do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro.

Diretor: De Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley
Gênero: Documentário
Duração: 90 minutos

Horários e Salas
Liberty 2 - 14:0015:4517:3019:1521:00

*Programação sujeita a alterações de ultima hora

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Acme: Lixo Extraordinário, uma surpresa para deixar você arrepiado

Deixe o preconceito de lado e assista ao filme.

Jurandir Filho
twitter.com/jurandirfilho



Sabe aquele filme que você escuta alguém falar e se depara com reportagens pela mídia, mas não dá a mínima bola por ser, primeiro, um documentário, e segundo, não ter nenhum nome “famoso” no elenco? Pois é, foi isso que aconteceu comigo em relação a “Lixo Extraordinário”. Pode parecer um preconceito estúpido, mas acontece. Eu gosto muito de documentários, mas com a quantidade de filmes comerciais que chegam aos cinemas e que tenho que assistir por causa do site, acabo não dando atenção para os filmes menos comerciais. É algo que quero corrigir.
Depois que o documentário foi indicado ao Oscar, decidi dar uma chance e estou sem palavras. Pretendo não falar mais nada, só quero que assista ao trailer e diga se não ficou com vontade de assistir essa obra:

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Cinema e DVD

Quarta, 19 de janeiro de 2011, 12h31
Exclusivo: Diretor fala das ideias por trás de 'Lixo Extraordinário'
Carol Almeida

Não espere deste documentário que ele passe a mão na sua cabeça e o redima de seus pecados cotidianos. Lixo Extraordinário é um filme que joga sal em feridas que costumamos ignorar em nome da saúde de nossa consciência limpa. Um dos 15 filmes pré-selecionados para concorrer ao Oscar na categoria Melhor Documentário, essa co-produção Brasil/Inglaterra estreia neste fim de semana no Brasil e tem como foco o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz no maior aterro sanitário da América Latina, o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Na base do relato, a construção coletiva de telas gigantes com os trabalhadores desse colossal lixão. Conversamos com um dos três diretores do filme, João Jardim, que nos deu informações sobre os bastidores desse longa (confira crítica do filme no link abaixo).
» 'Lixo Extraordinário' expõe Vik Muniz como artista e cidadão
» Alugue ou Compre Vídeos no Terra Video Store
» Assista a trailers de cinema
» vc repórter: mande fotos e notícias
Diretor de filmes Janela da Alma (2001) e Pro Dia Nascer Feliz (2006), Jardim explicou que o processo de criação do filme partiu, de fato, de uma ideia do produtor. Colecionador de arte contemporânea, Angus Aynsley teve que achar três diretores para se dividir atrás das câmeras. Jardim foi o segundo a assumir o filme.
"O Angus é um colecionador de arte que queria produzir cinema e já tinha feito um curta com um artista plástico, o Andy Goldsmith. E enfim, ele é um cara um cara rico e o Vik Muniz estava fazendo um "portrait" do filho dele com geleia. E foi aí que ele começou a pensar em um filme sobre o Vik", explica Jardim.
Daí por diante, Lixo Extraordinário passou a ser um trabalho em andamento, sem data para terminar. "Angus contratou a Lucy (Walker) pra ser a diretora. Isso foi em 2006 ou início de 2007. Sei que eles foram conversando e o Vik sugeriu essa ideia de fazer no Brasil com os catadores de lixo, porque ele já tinha feito uns quadros de sucata e porque ele queria trabalhar nesse universo de ver como a arte poderia influenciar a vida de pessoas que nunca lidaram com isso. Essa foi a premissa inicial do filme. E todo aquele princípio do filme é realmente o princípio do planejamento do filme, eles pesquisando onde e como poderia ser feito."
Os cerca de 20 minutos iniciais do filme, portanto, dão conta desse processo de prefácio do filme em si, registro raro que somente com uma produção que, graças ao financiamento de Aynsley, não precisou passar por aprovações de leis de incentivo para começar suas filmagens. João Jardim entrou logo depois desse processo. "Quando o filme chegou pra mim eles tinham filmado a gênese, que é o planejamento e a descoberta de Jardim Gramacho. E aí tive toda essa parte de imaginar como filmar Gramacho, como se aproximar do lixo, que câmera usar. Tive que pensar um novo filme que ia até o momento em que o Vik ia vender em Londres o quadro criado em Gramacho, e voltar pro Brasil com o dinheiro arrecadado que seria então utilizado por aquelas pessoas. Mas quando começaram a montar o filme e viram que aquilo estava rendendo, eles decidiram continuar filmando mais e aí tivemos mais uma etapa. Nesse momento a Karen (Harley), que já era editora do filme, assumiu como diretora e continuou sozinha."
Sobre a montagem do longa, o diretor brasileiro deixa claro que juntar as peças era certamente o maior desafio do projeto: "Existem três aspectos da arte: um é o processo de criação, dois é o dinheiro que ela envolve e três é o trabalho criativo em si, que neste caso é pegar pessoas que vivem catando lixo e colocar elas em um ambiente em que elas estão transformando lixo em arte. Então tínhamos essas três coisas para colocar dentro do filme e, além disso, tínhamos o protagonista, Vik Muniz, que não é nenhuma dessas três coisas. O processo de trabalhar na ilha de edição era fazer com que o espectador pudesse passear por esses quatro universos."
O problema é que, com o final das filmagens, o produtor, de olho no público estrangeiro, achou a montagem final com uma abordagem "brasileira demais", segundo Jardim e foi aí que essa documentário-lego, construído no encaixe de várias peças com cores distintas, voltou para as mãos de Lucy Walker, que deu a edição final e conseguiu, entre outras coisas, colocar Moby na trilha sonora que fecha a história.
Jardim explica que, de sua parte, havia uma preocupação particularmente pessoal quanto ao acompanhamento da relação entre Vik e os catadores de lixo que o ajudam a criar sua obra. "Na minha parte do filme, o que tentei foi fazer com que as pessoas se relacionassem com aquele lixo como se ele fosse o lixo da casa delas. É como se você estivesse vendo o filme e falasse: 'aqui tem o meu lixo, eu estou dentro disso também'. Era uma coisa meio pessoal minha fazer com que o público tomasse consciência sobre a questão do lixo.
E, acredite, consciência é algo que, depois deste filme, vai pesar na hora que você decidir jogar seu lixo fora.

Redação Terra




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Uma pernambucana no Oscar

André Dib
andredib.pe@dabr.com.br

Edição de sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Karen Harley, codiretora de Lixo extraordinário, concorre na categoria documentário



Cenas do documentário registram o cotidiano dos catadores no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Foto: Filmes/Divulgacao

Não é megalomania: Karen Harley é a primeira diretora pernambucana indicada ao Oscar. Ao lado da inglesa Lucy Walker e do carioca João Jardim (Pro dia nascer feliz), ela assina Lixo extraordinário, documentário sobre as intervenções do artista plástico Vik Muniz no aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Para quem não assistiu ao filme, ele fez um trabalho parecido na abertura da novela Passione. A direção compartilhada não diminui a importância da Karen no processo de criação do longa. Lucy deixou o projeto após dez dias de filmagem para se dedicar a Countdown, seu projeto pessoal. Após certo ponto, João também teve que sair, o que levou Karen a assumir o leme da produção.

´Isso gerou muitos caminhos e muito material`, diz Karen, por telefone, do Rio de Janeiro. ´Lucy esteve bem no começo das filmagens, depois mandamos o corte final para a Inglaterra, onde ela retrabalhou os primeiros 30 minutos`.

Lixo extraordinário é uma co-produção entre a O2 Filmes (deFernando Meirelles) e Almega Projects, do inglês Miel de Botton Aynsley, de quem partiu a ideia do filme. Por questões contratuais, Lucy assina a direção e Karen e Jardim a codireção. ´Mas o filme é dos três. Na verdade, ela foi quem menos trabalhou no projeto`, revela a diretora.

Mais conhecida como montadora para cinema e TV, este é o primeiro longa dirigido por Karen. Filha de estrangeiros (pai norte-americano e mãe alemã), ela nasceu no Recife, terra pela qual o pai se apaixonou, mas vive no Sudeste desde 1985. ´Saí pra ver o Rock in Rio e nunca mais voltei`, conta.

Quando começou a trabalhar com edição não havia o método não-linear, apenas o método do corte seco. ´Fui aprendendo na prática, com grandes montadores, como João Paulo de Carvalho e Mair Tavares, que foram meus mestres`. Com Mair, Karen montou seu primeiro filme em película, Veja essa canção, do Cacá Diegues. Depois vieram O quatrilho, de Fábio Barreto (derrotado no Oscar para A vida é bela, de Roberto Benigni).

A relação com a terra natal foi retomada profissionalmente quando Karen assumiu a montagem dos longas de Claudio Assis e Marcelo Gomes. Seu último trabalho foi em A febre do rato, de Assis, e semana passada ela começou novo processo em Era uma vez Verônica, de Gomes. Outro trabalho recente foi com o finlandês Mika Kaurismäki, o documentário para a TV Mama Africa, sobre a cantora Miriam Makeba.

Expectativa

Lixo extraordinário foi indicado ao Oscar após vencer o prêmio do público em Sundance, Berlim e Paulínia (SP). Karen acredita que isto, somado à importância artística e social do filme, convenceram aos membros da Academia a incluir Waste Land (nome internacional do filme, em referência a poema de T.S. Eliot) entre os favoritos. Falado em inglês e português, com trilha sonora de Moby, o filme centra na interação de Vik Muniz, que vive nos Estados Unidos, com os catadores de lixo de Jardim Gramacho.

´A gente quer muito que Tião (Santos), o presidente da associação dos catadores, esteja na cerimônia do dia 27. Caso o filme vença, é ele quem merece receber a estatueta. Mais ainda porque o Jardim Gramacho vai fechar em 2012 e tem uma questão social pra ser resolvida aí`, diz Karen. Com admiração, ela diz que Tião cita Nietschze e também O príncipe, de Maquiavel, no filme, comparando os textos à situação do Rio de Janeiro. ´A alma do filme está nos catadores, que são pessoas bonitas, dignas, carismáticas, inteligentes e bem humoradas`.

Karen não assistiu aos filmes que concorrem com Lixo extraordinário, mas ouviu falar bem de Exit trough a gift shop, do grafiteiro britânico Banksy. Com uma abordagem bem diferente, ele questiona os mecanismos que regem a arte contemporânea. Não deixa de ser a lógica pela qual Hollywood tem se reinventado ao longo dos anos.
João Jardim, um dos diretores de 'Lixo Extraordinário'

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Guion estreia mundialmente o filme ZEITGEIST: MOVING FORWARD - Porto Alegre

Já estreou mundialmente no Guion o filme ZEITGEIST: MOVING FORWARD (15h15 – 18h15 – 21h15), de PETER JOSEPH, o filme ZEITGEIST: MOVING FORWARD terá estreia hoje em Los Angeles. No hall do Guion o público poderá ter um contato mais estreito com os estuasiasmados representantes gaúchos do MOVIMENTO ZEITGEIST: KONRAD SAUER, JULIANO MOREIRA, ALEX BONOTTO e DANIELA LOPES. Eles estão colocando à disposição cópias do segundo filme de JOSEPH aos espectadores, ZEITGEIST: ADENDUM, bem como impressos sobre o Movimento. A partir de hoje o filme está sendo exibido em mais de 60 países. Serão mais de 300 cinemas no mundo.NÃO PERCAM!


Juliano Moreira e Konrad Sauer, os responsáveis pela exibições do filme
ZEITGEIST: MOVING FORWARD no RS, além de coordenarem a tradução do filme para o português.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UM QUARTO EM ROMA - Cabine no Guion Center...............Porto Alegre

10/01 - segunda –feira/ 10:30 - GUION CENTER

Olá, na segunda-feira estaremos realizando uma cabine do filme de JULIO MEDEM, UM QUARTO EM ROMA.

Quem estiver interessado em assistir o filme, pedimos a gentileza de devolverem enviar um e-mail com o nome para carlos@guion.com.br

domingo, 21 de novembro de 2010

UM HOMEM QUE GRITA estreia com exclusividade no GUION CENTER dia 19/11

Após longos anos de ausência, o cinema africano volta às telas brasileiras.
UM HOMEM QUE GRITA
será lançado no dia 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra,
com exclusividade pelo Guion.
Vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2010, o filme participou do Mostra de Cinema de São Paulo,
contando inclusive com a presença do diretor Mahamat-SalehHaroun.
O filme é uma produção do Chade, e narra a interferência dos conflitos armados na região, e dentro desse quadro
as relações amorosas, as perdas de vida, sentimentos, amores e a disputa por espaço e sobrevivência nesse panorama hostil.
Os grandes Jornais do País, através dos seus críticos, já assistiram o filme na Mostra de São Paulo, e sempre com elogios ao filme.

LIBÉRATION
Um perfil de Mahamat-SalehHaroun
Por Michel Henry
Nascido no Chade e exilado na França, ele colocou seu país no mapa do cinema
Será que Mahamat-SalehHaroun(MSH) se deslumbrou após ser premiado em Cannes? Não, mas o cineasta chadiano bafora com gosto um charuto dos grossos na varanda de um café de Paris. A prova de sua conquista: apesar de ser trabalhador imigrante na França há quase trinta anos, recebeu do presidente Sarkozyuma carta, em 28 de maio, transmitindo-lhe “calorosas felicitações” pelo prêmio do júri, em Cannes, dado a “Um homem que grita”, filme perturbador que será lançado quarta-feira na França.
Uma segunda carta veio do presidente do Chade, Déby, para quem “o significado e a profundidade do filme colocam em xeque mais de um governante africano”. A começar por ele mesmo? O filme mostra como, em plena guerra civil, um pai se torna traidor e covarde diante do filho. O chefe de estado chadiano viu aí “um convite à reflexão por uma África sem guerra”.
Apesar de festejado por dois presidentes, Harounnão se tornou presidente de coisa alguma, certamente não do cinema africano, pelo simples motivo que seu filme era o primeiro do continente em competição em Cannes depois de treze anos. Ele não se considera porta-voz nem embaixador. MSH, 48 anos, só comanda seu próprio destino de “artesão” da película, mesmo que tenha conseguido uma bela conquista, colocando o Chade –país sem tradição cinematográfica nem salas de cinema em atividade –no mapa-múndi. É o sucesso da teimosia: o desaparecimento do cinema em sua terra natal era o tema de seu primeiro longa-metragem, “ByeByeAfrica” (1999). Neste filme irregular, registrado em vídeo em dez dias com 50.000 euros, o Harounexilado aparecia em cena, voltando ao Chade. Seu pai questionava:
-Não entendemos nada do que você faz. Você tinha enviado uma fita. Não entendi nada. Falava de um europeu...
-Freud.
-É seu amigo?
O pai continuava:
-Não é filme feito para nós. É filme para brancos. Se pelo menos você tivesse virado médico, poderia ter curado sua mãe. –E ainda: -Cinema serve pra quê? O país dos brancos é bonito. Lá não é sua casa. Nunca será. Se algum dia você pensar que é de lá, está perdido.
Cinema e exílio são o destino de Haroun. E fazer filme para brancos, nicho de vários cineastas africanos, expostos à indiferença ou à hostilidade de seus governantes, às vezes esquecidos pelo público de seu continente e condenados à invisibilidade no país de origem devido às salas de cinema fechadas. Em “ByeByeÁfrica”, Harounse questionava: “Sei que ninguém vê meus filmes aqui. Vez ou outra me pergunto por que os faço.” Mas ele teve razão em continuar sua luta. Não só pelo prêmio em Cannes: a Normandie, sala de cinema histórica em ruínas, está sendo restaurada em N’Djamenagraças a seu trabalho, que atraiu o investimento do Estado. Uma segunda sala, o Rio, poderia renascer. “Me propuseram criar um centro de formação audiovisual para jovens. Meu maior orgulho é ter acertado o alvo não pela palavra, mas pela ação.”
Haroundescobriu o cinema aos 9 anos, em Abéché, sua cidade natal, no centro do Chade, quando um tio o levou ao cine Chachati. Do filme de Bollywood, ele se lembra de um close em uma atriz indiana. “Ela me olhava. Achei que seu sorriso era pra mim. Ele continua a morar em mim.” Sua avó, Kaltouma, lhe passou o gosto pelas histórias. Com 11 anos, ele chega à capital, onde seu pai é diretor de uma escola. Na escola particular francesa, seu professor, Senhor Poniatowski, o faz perder o sotaque para que fale “como os francesinhos”. À noite, Harouncorre ao cinema com seus colegas. “Para nós, pouco importava qual era o filme.” Um porteiro os deixa entrar de graça. “A gente não tinha como pagar. Batíamos na porta. Pegávamos o filme no meio.” A projeção de “Roma, cidade aberta” instigou-o a fazer cinema.


Em 1979, porém, era N’Djamena, com a guerra civil, que estava mais para “cidade aberta”. Primeiros explosivos, primeiros mortos, dispersão de famílias e amigos, “o início da instabilidade”. Em 12 de fevereiro de 1979, MSH é atingido na perna por uma bala perdida. Empurrado por seu pai em um carrinho de mão, atravessa o rio em direção a Camarões, onde havia o hospital de emergência para militares franceses. Sensação de ser humilhado. “De repente, não somos absolutamente nada. Uma coisinha nesta barbárie. Minha vida não tinha mais sentido.” Foge para a Líbia, trabalha numa oficina durante um ano, em Sebha. Depois, seu pai, então diplomata, leva-o para passar um ano em Pequim. “Eu não fazia nada.” Não há eletricidade, pois o Chade não paga as contas, e seu pai não recebe salário. “Vivíamos com lampiões a querosene numa residência de diplomatas...” Harouneconomiza para percorrer a Transiberiana, desembarca em Moscou, depois Paris, em setembro de 1982. Nada fácil.
Come amendoins, como em Abéché: é o que o alimenta. Parte então para Bordeaux, para trabalhar como vigia noturno em um hospital, onde encontra sua primeira mulher, enfermeira, com quem tem um menino e uma menina (24 e 22 anos). Cursa jornalismo e exerce a profissão por quatro anos antes de se tornar cineasta.
Com seu estilo apurado e quatro longas nas costas, Harounse inspira em Robert Bresson, Chaplin, Ozu, Kiarostami, Jarmusch e Wenders, tanto quanto em SembeneOusmanee SouleymaneCissé, para fazer filmes com temas universais, que se passam em seu continente. A África “primeiro foi filmada e representada por terceiros”, tendo como resultado “uma espécie de quadro pendurado de costas” que ele pretende “recolocar no devido lugar”.
MSH vive em Paris, longe do Chade, para onde vai várias vezes por ano. Em 13 de abril de 2006, quando filmava “Daratt”, os rebeldes invadem N’Djamena. Trezentos mortos em algumas horas. É esta tensão que está por trás de “Um homem que grita”. Sob o título “À honra de nossa loucura”, o jornal “N’DjamenaHebdo” escreve que se MSH foi premiado em Cannes é “também graças a nós, todos os chadianos, famosos por nossa lendária loucura assassina, que sempre inspira seus roteiros.” Para mudar, MSH trabalha em um novo projeto, sobre a
odisseiado Probo Koala, navio que causou uma catástrofe ecológica na Costa do Marfim, em 2006. Um filme com produtos inflamáveis: cuidado ao acender o charuto, Haroun!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pré-estréia - Guion


GUION CENTER 3 – O ESTUDANTE – 90 MIN/ LIVRE
Sexta/23, sábado/24 e domingo/25 – 16h15
Sinopse: Aventura de Chano, um homem de 70 anos de idade, que acaba de se inscrever na universidade para estudar Literatura. Assim, se encontra com o mundo dos jovens, de costumes e tradições muito diferentes das suas. Porém, com Dom Quixote sempre como exemplo, Chano atravessa a barreira das gerações e faz novos amigos, torna-se um guia e ajuda a resolver seus problemas. Até que um forte golpe acontece em sua vida e serão agora seus jovens amigos, que terão que ajudá-lo a superar.
Elenco
CHANO: Jorge Lavat
ALICIA: Norma Lazareno
CARMEN: Cristina Obregón
SANTIAGO: Pablo Cruz Guerrero
ALEJANDRA: Siouzana Melikian
MARCELO: Jorge Luis Moreno
EDUARDO: Cuautémoc Duque
HÉCTOR: Daniel Martínez
SOFÍA: Jeannine Derbez
LUCÍA: Silvia Santoyo
JORGE: Raúl Adalid
MATILDE: Sofía Toache
ÁLVARO: Fernando Estrada
MAMÁ DE EDUARDO: Clarisa Rendón
DON CAMILO: Humberto Espinoza
DON PEPE: Sergio Morante
Don PEDRO: José Carlos Ruíz

sábado, 17 de julho de 2010

O Profeta

Prezados,
Pré-estreia nesta sexta, sábado e domingo no Guion Center O PROFETA o espetacular filme de JACQUES AUDIARD,
Grande Prémio do Júri em Cannes e Vencedor de 9 CÉSAR,
o Oscar do cinema francêsE segundo o crítico Marcelo Perrone, o melhor filme do ano.

(GRANDE PRÉMIO DO JÚRI EM CANNES)
O PROFETA(UN PROPHÈTE / FRANÇA-ITÁLIA/ 2009/ 155 MIN/ 18 ANOS/ DRAMA/ POLICIAL)
Um filme de
JACQUES AUDIARD
UM LANÇAMENTO DA SONY PICTURES CLASSICS
ComTAHAR RAHIM NIELS ARESTRUPeADEL BENCHERIF, REDA KATEB, HICHEM YACOUBI, JEAN-PHILIPPE RICCI,GILLES COHEN, ANTOINE BASLER, LEÏLA BEKHTI, PIERRE LECCIA,FOUED NASSAH, JEAN-EMMANUEL PAGNI,FREDERIC GRAZIANI, SLIMANE DAZI

Segundo uma ideia original de ABDEL RAOUF DAFRIRoteiro de THOMAS BIDEGAIN e JACQUES AUDIARD
Baseado no roteiro original de ABDEL RAOUF DAFRI e NICOLAS PEUFAILLIT
Uma coprodução deWhy Not Productions / Chic Films / Page 114 / France 2 Cinéma / UGC Images/ Bim Distribuzione / Celluloid Dreams
Diretor: jacques audiardBaseado em uma ideia original de ABDEL RAOUF DAFRI
Roteiro: THOMAS BIDEGAIN e JACQUES AUDIARD
Baseado em uma ideia original de ABDEL RAOUF DAFRI e NICOLAS PEUFAILLIT
Fotografia: STÉPHANE FONTAINE (a.f.c)
Montagem: JULIETTE WELFLING
Trilha sonora original de ALEXANDRE DESPLAT
Direção de arte MICHEL BARTHÉLEMY (a.d.c)
Sonorização BRIGITTE TAILLANDIER/ FRANCIS WARGNIER/ JEAN-PAUL HURIER/ MARC DOISNE
Figurino VIRGINIE MONTEL
Elenco RICHARD ROUSSEAU
Produtor MARTINE CASSINELLI
Colaborador artístico THOMAS BIDEGAIN
Diretor assistente SERGE ONTENIENTE
2º diretor assistente JEAN-MICHEL CORREIA
Continuista NATHALIE VIERNY
Maquiagem FRÉDÉRIQUE NEY
Cabelo PIERRE CHAVIALLE
Fotografia ROGER ARPAJOU
Supervisor de pós-produção BÉATRICE MAUDUIT
Elenco:TAHAR RAHIM Malik El DjebenaNIELS ARESTRUP Cesar LucianiADEL BENCHERIF RyadREDA KATEB Jordi le gitanHICHEM YACOUBI ReyebJEAN-PHILIPPE RICCI VettorriGILLES COHEN ProfANTOINE BASLER PilicciLEÏLA BEKHTI DjamilaPIERRE LECCIA SampierroFOUED NASSAH AntaroJEAN-EMMANUEL PAGNI SantiFRÉDÉRIC GRAZIANI
Chefe de SegurançaSLIMANE DAZI Lattrache

SINOPSECondenado a seis anos de prisão, Malik El Djebena, meio árabe, meio córsico, é analfabeto. Ao chegar à prisão, totalmente sozinho, ele parece mais jovem e mais frágil do que os outros presos. Ele está com 19 anos. O líder da facção dos córsicos dá a Malik uma série de “missões” a serem cumpridas. Ele aprende rápido e se fortalece, ganhando a confiança do chefe da facção. Malik usa toda a sua inteligência para desenvolver discretamente o seu plano. SINOPSE INTEGRALMalik El Djebena, um criminoso contumaz, chega à prisão que ele chama de seu novo lar. Ele foi condenado por atacar um agente policial, sendo, desta vez, julgado como adulto e recebeu pena de seis anos. Ele é analfabeto. Seus pais, francês e árabe, não fazem parte da sua vida há muito tempo. Ele vai para a prisão sem nada.

O pátio da prisão é dividido no meio, com os árabes de um lado e os córsicos de outro, sob a liderança de Cesar Luciani. Quando chega o novo grupo de detentos, Cesar vê Reyeb, árabe que ficará preso por 10 dias, antes de testemunhar em um processo criminal. Jacky Marcaggi, chefe da quadrilha córsica fora da cadeia quer que Reyeb seja impedido por todos os meios de testemunhar. Reyeb está ciente da situação e pede para ficar no complexo B, da facção dos árabes e permanece na cela o dia inteiro.

Logo em seguida, Malik está tomando banho e recebe uma proposta de Reyeb, que está no outro boxe. Reyeb oferece haxixe em troca de favores sexuais e Malik recusa, em alto e bom tom. Os córsicos observam. Cesar chama Malik para uma reunião no pátio com outros córsicos. Cesar sabe do incidente no chuveiro e que Malik fala árabe, embora não faça parte da facção dos árabes. Ele diz a Malik para ficar amigo de Reyeb, ganhar a sua confiança, aceitar a oferta e depois matá-lo.

Malik é forçado a aceitar a proposta e os homens de Cesar ensinam como ele deverá agir. Quando Malik se aproximar para ter relações como Reyeb, ele deverá cortar a garganta com uma lâmina escondida na boca. Na cela, Malik treina esconder e retirar a lâmina, mas corta a boca por dentro. Depois de muitas tentativas, ele está pronto.

Reyeb deixa Malik entrar na cela, procura armas escondidas e, depois, sentam-se para conversar. Ao se dar conta de que Malik é analfabeto, ele o incentiva a se matricular no curso de alfabetização da prisão. Enquanto Malik se prepara para o golpe, as coisas dão errado, a boca começa a sangrar e ele não tem escolha a não ser matar Reyeb de maneira rápida e brutal. Sem que ninguém o veja, ele sai da cela de Reyeb levando consigo todas as provas de que esteve lá.

Malik se matricula na escola, onde aprende a ler e a escrever em francês. Malik passa a frequentar a cela de Cesar, quartel-general dos negócios dos córsicos na cadeia. Malik prepara o café, faz faxina e, tecnicamente, é protegido por eles. Mas, por ser árabe, Malik não é considerado como um deles.

Durante as aulas de alfabetização, ele conhece Ryad, outro árabe que, apesar de não fazer parte da facção dos árabes, o ajuda nos estudos. Os dois se tornam amigos. Ryad conta da Malik que acabou de fazer quimioterapia para tratar um câncer nos testículos e, aparentemente, ele está bem.

Cesar está assistindo televisão no celular quando ouve que o Presidente Sarkozy anunciou que, por razões políticas, todos os “prisioneiros políticos” córsicos serão transferidos para perto de onde moram ou libertados. Essa notícia não é boa para Cesar, pois ele ficará preso enquanto boa parte dos seus comparsas serão libertados. Mais do que nunca, ele precisa de Malik.

Cesar faz com que Ibanez passe Malik para a cela perto da de Cesar, que é mais confortável. No pátio, ele conhece Jordi, um cigano e traficante de drogas. Jordi está envolvido no tráfico de drogas e cuida do transporte de grandes quantidades de haxixe pela estrada.

Mais tarde, Malik ouve Cesar falando pelo celular. Aparentemente, os negócios não estão indo bem. Cesar pede a Malik que entre com pedido de livramento condicional. Enquanto o pedido está sendo analisado, Malik pode sair de vez em quando da prisão. Durante essas saídas, ele faz pequenos serviços para Cesar. Cesar encontra-se com Malik e o advogado, para passar informações para as pessoas que podem acelerar o pedido de livramento condicional de Malik. Cesar diz a Malik que agora, ele deve tornar-se um prisioneiro modelo e não pode mais fazer os serviços externos.

Para poder sair da prisão, Malik precisa de um emprego fixo, pelo menos para mostrar às autoridades. Ryad, que já obteve o livramento condicional, encontra um falso emprego para Malik numa mecânica de automóveis. Ryad está chateado por estar trabalhando como atendente de telemarketing, para sustentar a namorada Djamila e o filho deles.

Quando Malik está perto de sair pela primeira vez, como parte do regime de progressão de pena, Jordi conta que um transporte de haxixe deu errado. A polícia confiscou cem quilos da droga e prendeu imediatamente todos os homens menos um dos motoristas que conseguiu - antes de ser preso também – esconder um dos pacotes com drogas em um banheiro.

Malik obtém autorização para a sua primeira saída. O primeiro trabalho que ele tem que fazer para Cesar é uma entrega. Ele é levado por Sampierro, um dos chefes córsicos, até uma favela afastada da cidade. Ele tem que entregar uma pasta. Quando Malik chega perto da porta, homens armados o puxam para dentro e o jogam no chão, enquanto inspecionam a pasta. Malik sabe que vai receber algo em troca do que está na pasta. Trata-se de Santi, homem de confiança de Cesar, que havia sido torturado e que está sendo mantido preso e encapuzado dentro da casa.

Malik o tira de dentro de casa e os dois vão se encontrar com Sampierro, que está esperando dentro do carro. Sampierro leva Santi e deixa Malik na rua, com um envelope cheio de dinheiro, como pagamento. Sem que Cesar saiba, Malik aproveita para ir de táxi até o banheiro onde o haxixe foi abandonado e o entrega a Ryad. Ele conta sobre os planos da operação de tráfico de droga e do transporte pela estrada.

No pátio, Cesar nota que o número de árabes está aumentando e que a sua liderança está sendo ameaçada. Malik sugere que Ibanez mande alguns dos seus capangas até a ala dos árabes como demonstração da autoridade de Cesar.

Hassan, líder da facção dos árabes, chama Malik e pede que ele ajude a parar a intimidação. Malik diz a ele que vai ver o que pode fazer e marca um encontro entre Hassan e Cesar. Cesar quer que Hassan marque um encontro em Marselha com Bahim, que é um dos líderes da facção árabe de fora da cadeia. Se a reunião for marcada, a intimidação será interrompida.

Fora da cadeia, Ryad está dirigindo o segundo carro da caravana de transporte de haxixe, quando sofre uma emboscada por parte de Latif, um egípcio que também utiliza a mesma rota e que soube da operação. Latif e sua quadrilha sequestram Ryad e roubam a mercadoria. Com a ajuda dos árabes, Malik e Jordi atacam o cunhado de Latif dentro do banheiro da prisão. Depois de dar uma surra no cunhado e nos seus comparsas, Malik e Jordi mandam que ele diga a Latif para devolver as drogas e Ryad.

Durante a sua próxima saída, Cesar manda Malik para a reunião com Bahim em Marselha. Ele deve perguntar a Bahim quanto custaria para que a quadrilha dos árabes se afastasse da facção dos italianos.

Ryad vai até a prisão pegar Malik, mas se atrasa. Ele ainda está chateado com o sequestro, ainda mais depois que Latif bloqueou as rotas e ele não consegue transportar o haxixe.

Em Marselha, Malik é apanhado por Bahim. Malik conta sobre a proposta de Cesar e pergunta quanto ele quer para cortar os laços com os italianos. Malik diz que, em troca, a Cúpula córsica aceitou dar uma porcentagem dos lucros do cassino da máfia dos córsicos a Bahim.

Bahim diz a Malik que há um informante na máfia dos córsicos, que passa informações aos italianos e que se Cesar conseguir encontrar essa pessoa, ele aceita a proposta. Antes de ir embora, Malik pede um favor a Bahim: que ele diga a Latif que está fazendo negócios com Malik.

Bahim concorda e, ao voltar para a prisão, Malik diz a Ryad que ele precisa superar a raiva que sente por Latif e aceitar se encontrar com ele. Agora que Latif pensa que Ryad e Malik estão de conluio com Bahim, eles devem formar uma equipe com Latif e juntar os dois negócios de drogas, para unir os recursos e dividir os lucros. Ryad hesita, mas sabe que é o mais inteligente a fazer. Além do mais, o câncer voltou.

Na prisão, Cesar faz uma reunião com o seu contato externo com a máfia córsica, durante a qual fica claro que ele está perdendo poder por Jacky, o chefe da máfia córsicos fora da prisão.

Após outro encontro tenso com Cesar, Malik usa o celular de Cesar para telefonar e dizer a Ryad para entregar, em seu nome a parte dele da operação de transporte de drogas a Moussab, o líder dos traficantes árabes.

Ryad se encontra com Latif, pega a parte de Malik em dinheiro, e leva a uma mesquita local onde eles acham que Moussab estará. Ele deixa o pacote para Moussab, onde é descoberto assim que Moussab está saindo.

Na prisão, os árabes confrontam Malik, desconfiados dos seus motivos. Malik faz uma reunião com Hassad, líder da facção árabe e conta o que todos já sabem – os córsicos controlam os agentes penitenciários e, enquanto isso durar, a vida dos árabes presos será difícil. Hassad desconfia de Malik, mas concorda em fazer negócios com ele, desde que Malik lide com ele diretamente, sem passar com Moussab.

O Natal chega e Cesar se reúne com Malik na sua cela. Ele quer que Malik reúna um grupo secreto para matar Jacky em Paris antes que ele elimine toda a autoridade de Cesar. Se for bem-sucedido, Cesar conseguirá fortalecer a sua posição no crime organizado córsico. E, neste caso, Malik obedecerá diretamente a Cesar e ficará encarregado das operações dos cassinos.

Malik conversa com Ryad sobre a proposta e Ryad aceita porque seu câncer voltou. Ryad fica encarregado de reunir a equipe , mas ele e Vettorri não conseguem chegar a um acordo.

Ryad e Malik vão de carro se encontrar com Vettorri. Mas, em vez de uma equipe completa, não há ninguém. Eles atacam Vettorri e o jogam, amarrado, na mala da van.

Após um tiroteio no carro de Jacky, Malik coloca Jacky na mala do carro e vão até um local ermo. Malik diz a Jacky que foi contratado por Cesar e Vetori para matá-lo. Malik abandona Jacky e vai embora.

Em vez de voltar para a prisão, Malik passa a noite na casa de Ryad, pois sabe que irá para a solitária assim que voltar.

Durante o tempo que Malik passa isolado na solitária, ficamos sabendo que Vettorri foi assassinado por Jacky no carro, que os córsicos da prisão se revoltaram com a traição de Cesar contra Jacky e começam a se matar e que Ibanez foi preso por aceitar propina.

Quando Malik sai da solitária, ele vai para o pátio com os árabes, que agora o apóiam por ele ter acabado com o tratamento preferencial dado aos córsicos. Cesar fica sozinho do lado oposto do pátio. Ele faz um sinal para que Malik se aproxime, mas Malik o ignora. Quando Cesar atravessa o pátio para falar com Malik, dois árabes o jogam no chão. Cesar se levanta e volta sozinho para o outro lado do pátio.

Malik sai da prisão. Ao deixar o prédio, ele recebe de volta o dinheiro que havia sido confiscado. Fora da prisão, três carros esperam, com árabes, egípcios e córsicos, as três facções que Malik conseguiu reunir. Djamila também está lá com o bebê, sem se dar conta do carro blindado que os espera. Djamila diz a Malik que ele pode ficar com ela e o bebê e os dois se afastam da prisão, com todos os carros acompanhando.

JACQUES AUDIARD Jacques Audiard nasceu em 30 de abril de 1952 e é filho do famoso roteirista e diretor Michel Audiard. Ele começou a sua carreira no cinema não como diretor ou roteirista, mas na sala de montagem. Foi a partir de 1980 que Audiard começou a participar da criação de roteiros para diretores como Georges Lautner (O Profissional - The Professional), Denys Granier-Deferre (Réveillon With Bobsled), Claude Miller (Mortal Hike), Jérôme Boivin (Baxter), Elisabeth Rappeneau (Frequency Murder) e Ariel Zeitoun (Saxo). Embora pareçam muito diferentes, esses filmes têm uma características em comum: uma atmosfera noire, um humor cáustico e deslocado e uma visão pessimista da condição humana. Audiard manteve este tipo de olhar pessimista ao dirigir o seu primeiro filme em 1994, Quando os Homens Caem (See How They Fall), com Mathieu Kassovitz e John Louis Trintignant. O filme foi agraciado com o Cesar de Melhor Filme. Seu terceiro filme, Em Meus Lábios (Read My Lips), foi indicado a 10 prêmios e agraciado com oito Cesar em 2001. Em seguida, ele dirigiu De Tanto Bater, Meu Coração Parou (De Battre Mon Coeur s’est Arrêté) indicado para o Urso de Ouro no Festival de Berlin, quando estreou em 2005. Em seguida, ele dirigiu Um Profeta (Un Prophete), lançado no Festival de Cannes em 2009, onde recebeu o Grand Prix de Cannes. FILMOGRAFIA DE JACQUES AUDIARD 2009 Um Profeta (Un Prophète)2004 De Tanto Bater Meu Coração Parou (De Battre Mon Coeur s’est Arrêté)2001 Em Meus Lábios (Read My Lips)1996 Um Herói Muito Discreto (A Self Made Hero)1994 Quando os Homens Caem (See How They Fall) TAHAR RAHIMMalik El DjebenaTahar Rahim fez sua primeira participação no cinema em 2005 no documentário de Cyril Mennegun : Tahar The Student depois do qual, ele fez seu primeiro papel no cinema no filme A Invasora (A l’Interieur) de Alexandre Bustillo e Julien Maury. Jacques Audiard notou o jovem ator na série La Commune para o Canal + dirigido por Philippe Triboit. Ele decidiu oferecer o papel de Malik El Djebena após vários vezes de escolha de elenco e preparação. NIELS ARESTRUPCesar LucianiDepois de De Tanto Bater Meu Coração Parou (De Battre Mon Coeur s’est Arrêté) pelo qual recebeu o Cesar de Melhor Ator Coadjuvante, Niels Arestrup Jacques Audiard o convidou para trabalharem juntos de novo, em Um Profeta.Filmografia2008 Farewell, direção de Christian Carion2008 Um Profeta (Un Prophète), direção de Jacques AUDIARD2007 O Ultimato Bourne (Bourne Ultimatum), direção de Paul Greengrass2007 O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon), direção de Julian Schnabel2006 Le Candidat, direção de Niels Arestrup2005 Les Fragments de Antonin, direção de Gabriel Le Bomin2005 De Tanto Bater Meu Coração Parou (De Battre Mon Coeur s’est Arrêté), direção de Jacques Audiard2004 La Part Animale, direção de Sébastien Jaudeau2002 Falar de Amor (Parlez-moi d’Amour), direção de Sophie Marceau2002 Une Affaire Privée, direção de Guillaume Nicloux2000 Piquenique de Lulu Kreutz (Le Pique-nique de Lulu Kreutz), direção de Didier Martiny1998 Rewind, direção de Fabrice Rivail1994 Délit Mineur, direção de Francis Girod1991 La Tentation, direção de Ivan Szabo1988 Doux Amer, direção de Franck Apprederis1988 Ville Étrangère, direção de Didier Goldschmitt1987 Barbe Bleue, direção de Fabio Carpi1987 Charlie Dingo, direção de Gilles Behat1987 La Rumba, direção de Roger Hanin1985 Les Loups entre Eux, direção de José Giovanni1985 Diesel, direção de Robert Kramer1985 Signé Charlotte, direção de Caroline Huppert1984 Futuro é Mulher (Le Future est Femme), direção de Marco Ferreri1980 Du Blues Plein la Tête, direção de Hervé Palud1980 Seuls, direção de Francis Reusser1980 La Femme Flic, direção de Yves Boisset1979 La Dérobade, direção de Daniel Duval1978 La Chanson de Roland, direção de Franck Cassenti1977 Les Apprentis Sorciers, direção de Edgardo Cozarinsky1977 Plus Ça va, Moins Ça Va, direção de Michel Vianey1976 Le Grand Soir, direção de Francis Reusser1976 Se Tivesse que Refazer Tudo (Si C’Était À Refaire), direção de Claude Lelouch1976 Demain Les Mômes, direção de Jean Pourtale1976 Lumiére, direção de Jeanne Moreau1974 Eu Tu Ele Ela (Je, Tu, Il, Elle), direção de Chantal Ackerman1974 Miss O'Gynie et Les Hommes Fleurs, direção de Samy Pavel1974 L'affaire Stavisky, direção de Alain Resnais ADEL BENCHERIFRyadFilmografiaUm Profeta (Un Prophète), direção de Jacques AudiardGo Fast, direção de Olivier Van HoofstadtFrontiers, direção de Xavier GensAndalucia, direção de Alain GomisCages, direção de Olivier Masset - DepasseParis, eu te amo (Paris Je T’aime) (19ª RA, direção de Olivier SchmitzZe Film, direção de Guy JacquesGrande École, direção de Robert Salis REDA KATEBJordi, o cigano FilmografiaUm Profeta (Un Prophète), direção de Jacques AudiardQu’un Seul Tienne Les Autres Suivront, direção de Léa Fehner HICHEM YACOUBIReyebFilmografiaUm Profeta (Un Prophète), direção de Jacques AudiardMunique (Munich), direção de Steven SpielbergUne Couleur Café, direção de Henri DuparcSept Jours de Malheur, direção de Gaël Morel

ENTREVISTA COM JACQUES AUDIARD(Traduzida do francês)

Fale um pouco sobre a ironia do título de Um Profeta.
O título funciona como uma espécie de mandado que leva as pessoas a compreender algo que não é necessariamente desenvolvida no filme, ou seja, que estamos lidando com um pequeno profeta, um novo protótipo de pessoa.Originalmente, eu quis encontrar o equivalente em francês de “Gotta Serve Somebody”, uma canção de Bob Dylan que diz que estamos sempre servindo alguém. Gostei do fatalismo e da dimensão moral deste título, mas nunca encontrei uma tradução com a qual eu ficasse satisfeito, por isso ficou Um Profeta (Un Prophète).

Como você conta essa história?
O que nos interessou, a mim e ao meu co-roteirista, Thomas Bidegain foi questionar como poderíamos conciliar o tema de Abdel Raouf Dafri e Nicolas Peufaillit e criar uma história de cinema aceitável. Tínhamos que encontrar uma forma de contar Um Profeta de modo contemporâneo.Quisemos criar heróis a partir de pessoas que não conhecíamos, de quem ainda não tivéssemos uma representação icônica no cinema. Como os árabes, por exemplo. Na França, a tendência no cinema é colocá-los sob representações naturalistas ou sociológicas. Quisemos fazer um filme pure genre, um pouco à maneira ocidental, mostrando pessoas que não conhecemos e as transformando em heróis.

Por que escolheu o jovem Tahar Rahim para o papel de Malik El Djebena?
Sempre fui atraído por um tipo de protótipo masculino, não necessariamente conhecido pelos seus níveis de testosterona. Existem muitas semelhanças entre Matthieu Kassovitz com quem trabalhei várias vezes e Tahar Rahim. Não que um tenha que me lembrar o outro, mas ambos são protótipos masculinos que considero intrigantes.

Foi uma maneira de permitir ao espectador identificar-se com o personagem?
Tenho problemas em projetar uma identificação para lá de mim mesmo, mas claro que tive esse desejo Achei isso mais pertinente do que o habitual clichê de ter um lugar cheio de extraordinários homens viris. Os presos no meu filme não são homens musculosos feitos para esse tipo de ambiente. Paradoxalmente, eles desenvolvem qualidades que lhes permitem se erguer e dominar os outros.

Através do temperamento de Malik, o filme transmite a ideia de que o conhecimento e o know-how dão acesso ao poder.
Sim e é o que penso que seja o mais interessante. Este tipo de pessoa quebra os moldes, pois não se trata do hooligan habitual. Acompanhando Malik, vemos como ele atua no trabalho. Ele possui uma mente que mostra uma incrível capacidade de adaptabilidade e cuja personalidade será usada em possibilidades oportunistas, primeiramente para se salvar, depois para sobreviver e melhorar e finalmente para alcançar outro nível de poder.
Esta dimensão do filme evoca outro dos seus personagens, Dehousse em Um Herói Muito Discreto (A Self Made Hero).Pode-se dizer que esses personagens são modelos de certo tipo de educação.Escolhi mostrar essas pessoas em um estado de profunda privação. A partir daí, damos a elas uma oportunidade de construir uma personalidade heróica. A história de Um Profeta (Un Prophète) mostra alguém que chega a uma posição que jamais teria atingido, se não tivesse sido preso. Aí está o paradoxo.

Como se concretizou a intenção de transformar Malik em um herói?
Em parte acompanhando a imagem dos árabes no cinema, que é ridícula – eles são representados como terroristas, ou simplesmente uma imagem naturalista, num contexto social realista. Foi isso que me levou rapidamente à questão da escolha dos atores. Para o papel de Malik, precisávamos de alguém extremamente polimórfico que corresponderia perfeitamente ao tema da identidade no filme. Um jovem, sem história, acabará por criar uma diante dos nossos olhos. Desde o início sabíamos que este papel não poderia ser interpretado por um ator conhecido, justamente porque é uma história sobre o alcance de poder, de visibilidade.

Houve também a intenção de compartimentar o cinema francês?
É inerente ao trabalho. Não tenho uma longa filmografia, só dirigi cinco filmes. Trabalhei com Matthieu Kassovitz, Vincent Cassel, Romain Duris,e outros atores de notável talento. Mas, depois de De Tanto Bater Meu Coração Parou (De Battre Mon Coeur s’est Arrêté), quis trabalhar com desconhecidos.

Esta ideia foi de par com o sentimento de que o cinema deve ter uma forte base social e que se não narrarmos o mundo como ele é e como se esgota, então que utilidade tem?
Quando digo isso, não é uma provocação, é somente a minha maneira de mostrar a ficção de uma maneira que pareça real.Acho que hoje em dia, na França, o cinema é incrivelmente redutor neste ponto de vista. Não sei de que realidade fala o cinema francês Por esse motivo, a ideia do filme era quebra esta ideia de casting da mesma maneira que foi tido em conta o fato de que o mundo muda e que as figuras heróicas devem evoluir. Na minha mente, existem novas mitologias para projetar em novos rostos e em novos caminhos a seguir. Malik parece ter uma relação desapegada e oportunista com a sua identidade. Os córsicos o consideram um árabe e os árabes o consideram um córsico. Malik se encontra permanentemente nos dois campos. Contudo, ele irá naturalmente apoiar-se na sua comunidade. É aqui que descobrirá alguma coisa que tem estado a ignorar. Na mesma medida em que ele é um tipo particular de hooligan, ele também é um tipo particular de crente.

Pode nos dizer sobre o fantasma que acompanha Malik e que inspira as suas visões místicas?
O filme tem alguns momentos fantásticos, mas não tem a intenção de ser místico. O fantasma de Reyeb é uma forma de oferecer várias possibilidades de liberdade e de imaginação. É graças a ele que várias ideias sobre sufismo e os dervixes podem ser invocadas, permitindo que o roteiro adquira outra dimensão. Há uma tendência no cinema moderno de criar heróis mais complicados.
Em Um Profeta o herói caminha em direção a um tipo de redenção.E com alguns instrumentos que não seriam recomendáveis. Há sempre uma maneira padrão de criar um anti-herói. Isso não me interessa. Gosto que meus heróis aprendam algo e coloquem o que aprenderam em prática. Acho que o cinema tem a função de encarar a realidade para nos ensinar como usá-la. Talvez a lição de Malik seja paradoxal, mas ainda assim, interessante. De qualquer forma, ela indica que é necessário aprender.Aprender, prestar atenção, pensar antes de falar, ser reservado e, acima de tudo, não cometer duas vezes o mesmo erro, porque da terceira vez, o erro pode provocar a morte.

Para você, Um Profeta seria um filme moralista?
Sim, o que seria imoral seria criar um personagem sem consciência. Todavia, ele tem consciência do bem e do mal, sobretudo por tudo o que este lhe causou. Por que Mailk sorri de maneira misteriosa no momento do tiroteio?Malik tem uma sensação repentina de invulnerabilidade, como se ele transformasse num personagem de filme, que não pode se machucar.

Os outros estão chegando a um impasse diante dos acontecimentos. Malik é uma pessoa que, em vez de se tornar mais “pesado” com o que está acontecendo, torna-se mais leve e, aos poucos, se libera A prisão é uma metáfora?
Sem dúvida. Os filmes de gênero sempre se apresentam como uma metáfora. O personagem foi condenado a uma longa pena de prisão. O objetivo era que Malik encontrasse dentro de si mesmo aquilo que ele usaria mais tarde, chegando a um paralelo entre os dois universos.

Você define o personagem de Cesar, interpretado por Niels Arestrup, como um rei.
Sim, em referência aos personagens de Giono. Um rei, um ogro no fim do seu percurso que reinará sobre uma tribo de aranhas. Parece que a personagem de Cesar é baseada num arquétipo mítico.È verdade, mas não queríamos que fosse tão literal. Niels Arestrup, no papel de um padrinho córsico, é razoavelmente improvável e é devido a isto que o filme reflete um caminho mais interessante.

Como definiria a relação particular com Malik?
Quando estávamos escrevendo quisemos realmente engrandecer a ideia de pai/filho para enfatizar a relação de senhor/escravo. Cesar não é o pai de Malik mas o protege mantendo-o sob o seu poder, é severo com ele e sem qualquer sensibilidade paternal. Não há amizade entre eles ou afeição entre eles. Trata-se unicamente uma relação de controle. Os seus outros filmes mostram uma tendência para grandes histórias de amor e Um Profeta parece não seguir os mesmos moldes.

Por quê?
Penso que é relacionado com Malik, o que queríamos que ele fizesse. Como Malik é uma pessoa vinda realmente do nada, não era simplesmente o momento para construir uma história de amor. Por esta razão, no fim do filme, sugerimos que podia ter uma história com Djamila. Porque a sua vida lhe foi “amputada” muito cedo pela prisão, ele adquire a vida de outra pessoa que obviamente lhe convém muito bem. Queríamos sugerir que se juntar a Djamila fosse desde o início a sua intenção. Está tranquilo e provavelmente será um pai excepcional.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

À PROVA DE MORTE estreia sexta no GUION CENTER 1


INDICADO À PALMA DE OURO DO FESTIVAL DE CANNES EM 2007
À PROVA DE MORTE(DEATH PROOF/ EUA/ 114 MIN/ SUSPENSE/ POLICIAL/ AÇÃO)

Direção e Roteiro: QUENTIN TARANTINO

Produção: ELIZABETH AVELLAN, ROBERT RODRIGUEZ, ERICA STEINBERG, QUENTIN TARANTINO

Elenco: KURT RUSSELL, ZÖE BELL, ROSARIO DAWSON, ROSE MCGOWAN, QUENTIN TARANTINO, ELI ROTH, SYDNEY TAMIIA POITIER, OMAR DOOM, JORDAN LADDFilme integrante do projeto Grindhouse, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, em homenagem aos filmes de terror ‘exploitation’ dos anos 1970. A outra metade do projeto é o filme Planet Terror, dirigido por Rodriguez.
Em sua exibição original, os filmes são precedidos por trailers “falsos” de produções do gênero, dirigidos por ELI ROTH (O Albergue), ROB ZOMBIE (Halloween), ROBERT RODRIGUEZ (Planeta Terror), EDGAR WRIGHT (Madrugada dos Mortos) e JEFF RENDELL.

Sinopse :Ao cair da noite, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin, pode enfim se divertir com as suas duas melhores amigas. As três garotas saem noite adentro, atraindo a atenção de todos os frequentadores masculinos dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Acompanhando de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), um rebelde inquieto e temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível.

www.guion.com.br
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GUION CENTER CINEMAS - GUION LIVROS, CDS & ARTER.
Gen Lima e Silva 776 - Loja 11 - 3221 3122 - 3221 7459
AEROGUION - Aeroporto Internacional Salgado FilhoPorto Alegre - RS - Brasil

terça-feira, 6 de abril de 2010

LAKINO - inscrições abertas - CINEMA - Berlin

Como não sou do meio do cinema, venho através deste divulgar um projeto bem bacana que acontece aqui em Berlin em agosto.
Sou amiga de um pessoal que está organizando um festival de curtas metragens aqui em Berlin. É um festival só de curtas latino americanos e eles estão agora selecionando os filmes. Acharia muito bacana o Brasil mostrar as caras e seu talento. Acho que tu deves conhecer bastante gente do meio, então se quiseres indicar o festival para o pessoal se inscrever e quem sabe vir até Berlin mostrar seu trabalho... fique à vontade!
É um festival menor, mas como tudo que hoje é grande, também começou pequeno...

Abs,
Evelyn Hunsche Ruhl
Dipl. Ing. Architektin