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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ARTE 15 LANÇA LIVRO Arte 15 - 15 Anos.............................São Leopoldo


Grupo Arte 15 convida


Lançamento Livro Arte 15- 15 Anos


Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, dia 20 de agosto, sábado, das 10 às 13 horas.
                           Para comemorar os 15 anos de atividades do Grupo Arte 15, os artistas, preocupados em registrar a trajetória do Grupo e salientar a caminhada de cada integrante, decidiram pela edição de um livro. Os fatos perdem-se quando não organizados. É necessário sistematizar os eventos, as participações comunitárias e a própria organização interna do Grupo. Realizar um apanhado histórico focalizando os 15 anos de caminhada do Arte 15 envolveu pesquisa, disposição e sensibilidade.


Não podemos escrever a história da arte de um país se não iniciarmos por suas regiões, verificando as peculiaridades que contribuem para compor o todo. O levantamento histórico permitiu que se conhecesse e divulgasse o trabalho persistente de artistas na cidade de São Leopoldo, região e estado.


O Grupo iniciou seu trabalho com a intenção de divulgar e comercializar as obras de seus integrantes. Teve, entretanto, em sua caminhada, uma mudança significativa de atitude.  Ampliando sua atuação, abriu espaço à produção de novos e consagrados artistas, apoiou instituições beneficentes em seus programas, estabeleceu parcerias com poder público, escolas e empresas. Organizou e participou de workshops, como jurado em salões de outras instituições e outras tantas atividades paralelas cujo objetivo maior fosse o de difundir as artes de um modo geral.  Foi um casamento por interesse que se transformou num casamento por amor.


Criado num momento em que os espaços de arte na cidade quase desapareciam, merece destaque a união dos 15 artistas fundadores. Houve um despertar cultural na cidade que se ampliou na formação de espaços e hábitos. Foi capaz de “pintar uma obra” em cores locais que servirá de testemunho do que ocorre em artes plásticas no Vale dos Sinos.


O livro Arte 15-15 Anos relata a história do Grupo e destaca a obra dos diversos artistas que o integraram, bem como arquitetos parceiros, com currículo e fotos de suas obras. Organizado por Edi Daudt e Suzane Wonghon, tem como editora a Casa Leiria.
www.suzanewonghon.com


www.arte15.com.br

quinta-feira, 24 de março de 2011

Zulmira Ribeiro Tavares lança "Vesuvio"; leia poemas

"Mentiria se dissesse que foi tudo pensado. Foram se formando constelações e percebi que os poemas podiam ser vistos em conjunto", diz a premiada escritora Zulmira Ribeiro Tavares.
Em "Vesuvio" (Companhia das Letras, 96 págs., R$ 33), seu primeiro livro exclusivamente de poesia, a escritora, que recebeu o prêmio Jabuti por "Joias de Família", apresenta 44 poemas.
"Escrevi os textos sem pensá-los como livro, mas neles percebi com o tempo o esboço de um conjunto, no qual os títulos de cada bloco foram se formando aos poucos, menos como indicativos do que como partes de sua forma", disse à Folha.
Leia os poemas Céu , Música e Passaroco .

domingo, 29 de agosto de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

JOSÉ ARGUELLES - O Fator Maia

"JOSÉ ARGUELLES nasceu em Rochester, Minnesota, em 1939, e passou sua infância no México. Recebeu seu PhD em História da Arte na Universidade de Chicago em 1969. Como educador e professor, ensinou em várias Universidades. Como poeta, crítico de arte e filósofo, seus trabalhos têm sido publicados em muitos jornais que se dedicam à divulgação de um pensamento de vanguarda. Dele a Editora Pensamento já publicou Os Surfistas do Zuvuya - Histórias de uma Viagem Interdimensional.
Em O Fator Maia - Um Caminho que Transcende a Tecnologia, José Arguelles desvenda o mistério dos Maias - cuja cultura floresceu entre 435 e 830 da Era Cristã, na península de Yucatán, na América Central -, detendo-se particularmente na interpretação do seu calendário circular, o Tzolkien, que codifica um tempo que tem início em 3113 a.C. e se estende até 2012 d.C.
Segundo Arguelles, chegamos agora ao último ciclo de ativação galáctica, que na matemática perfeita dos Maias irá de 1992 a 2012, ano que assinala para a humanidade o início de um período de regeneração, com o surgimento de tecnologias não-materialistas e ecologicamente harmônicas.
O Fator Maia é, em resumo, um convite para que a humanidade ascenda a uma dimensão mais ampla da sua própria consciência e comece a agir em sicnronia com o centro da nossa galáxia, de onde procede toda a energia e inventividade que inspira a vida neste nosso pequeno e belo planeta Terra."
(Texto transcrito da "orelha" do livro O Fator Maia)
O livro é bem complicado caso queiramos acompanhar cálculos que ali estão presentes. No entanto, deixando estas minúcias de lado, é interessantíssimo a abordagem que reúne conhecimentos maias e I Ching. Estas informações fundamentam toda uma teoria que vai resultar num calendário diferente do gregoriano, o chamado Calendário da Paz, que propõe um ano de 13 meses e cada mês com 28 dias, respeitando desta forma, sincronicamente, o movimento lunar ao redor do planeta Terra e sua relação física com o Sol, que ainda não entendi bem qual seja. Eu acho a proposta interessantíssima e super otimista além de muito importante no sentido de trazer a natureza do planeta de volta para a sintonia com o ser humano. Os anti-depressivos andam ficando muito caros... Cada dia vem com uma verdade "cósmica" que nos coloca em sintonia com as radiações que o planeta recebe do universo.
Há quem seja radicalmente contra a proposta de José Arguelles argumentando haver erros em seus cálculos e tentativa de manipulação das massas como se fosse um movimento messiânico, o quê, enquanto engenheira agrônoma que sou, não me pareceu fato. O livro é forte como o "Mãos de Luz", escrito por uma física que trabalhou na NASA e que com muita propriedade apresenta aspectos energéticos e luminosos dos seres humanos os quais não nos são apresentados nas escolas. Ou seja, o livro Fator Maia vale a pena ser lido porque traz uma dimensão possível e imaginável que, no mínimo, abre os horizontes e faz muito bem ao organismo total.
Carla Volkart

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

De bicicleta pelo mundo

Colaboradora Carla Volkart
LIVRO CAMINHOS - A VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA


Tem projetos inovadores que fazem toda a diferença. Esse é o caso do Pedalando e Educando idealizado pelo arquiteto Argus Caruso. Ele partiu com sua bicicleta do interior de Minas para o mundo. Durante três anos e meio viajou com o objetivo de abastecer o site do projeto com relatórios e imagens para que os alunos das escolas públicas do Brasil pudessem aprender sobre novas culturas.
Argus Caruso passou por vinte e oito países e percorreu 35 mil quilômetros, munido apenas de um saco de dormir, uma maquina fotográfica, bateria, filmes, roupas, documentos e a bicicleta, é claro. Foram vinte mil fotos ao todo. A experiência foi tão marcante que deu origem ao livro Caminhos - A Volta ao Mundo de Bicicleta, com fotos e textos sobre a viagem.
Segundo o site do projeto, Caminhos é uma espécie de On the Road mineiro. Mas ao contrário do ícone da geração beat, Jack Keruac, que atravessou os Estados Unidos, Argus Caruso percorreu as rotas Inca, da Companhia das Indias Orientais, das Caravanas do Império Romano...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Clarice Lispector


Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.
A descoberta do amor
“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.Pois juro que a vida é bonita.”Temperamento impulsivo
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.Ideal de vida
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.É pouco, é muito pouco.”Escritora, sim; intelectual, não“Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.[...] Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”A síntese perfeita
“Sou tão misteriosa que não me entendo.”A certeza do divino
“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”Viver e escrever
“Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”“Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.A importância da maternidade“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”Viver plenamente
“Eu disse a uma amiga:— A vida sempre superexigiu de mim.Ela disse:— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.Sim.”Um vislumbre do fim“Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”
Textos extraídos do livro Aprendendo a viver, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004.
Leia também
Os mistérios de Clarice


domingo, 4 de outubro de 2009

A RELIGAÇÃO DOS SABERES - Edgar Morin

Por Carla Volkart

Este livro foi editado no Brasil em 2002. Recente! Edgar Morin é francês, o autor. Trata-se da súmula de um conjunto de Jornadas Temáticas realizadas por intelectuais franceses das mais diversas áreas do conhecimento, em busca de um novo "pensar" e realizar a educação de segundo grau. O primeiro parágrafo é claríssimo sobre a origem e seriedade do assunto que, partiu de um convite especial: "Na noite de 15 de novembro de 1997, Claude Allègre propôs-me, ao telefone, a presidência de um "conselho científico" consagrado a fazer sugestões para o ensino de segundo grau. Dois meses antes, o ministro me havia concedido uma longa entrevista para o suplemento sobre educação do jornal Le Monde (Le Monde de l'éducation), durante a qual eu lhe sugeri uma reforma da universidade francesa. Tal sugestão não despertou uma recusa de sua parte, mas sim uma reação de prudência: "O mais difícil é conseguir mudar as mentalidades." Eu sabia que o ministro era não apenas audacioso, mas também o promotor de uma das novas ciências polidisciplinares que apareceram na segunda metade do século XX (as ciências da Terra). Em vista disso, pensei que ele me escolhera em razão de minhas idéias." O livro transcorre apresentando os pontos de vista de muitos intelectuais de disciplinas completamente distintas (até o momento), revelando a estranheza de todos sobre a possibilidade proposta pelas jornadas de, remodelar a relação cientista-professor-aluno. Durante a "Jornada", à medida que cada cientista traz a evolução e avanços existentes hoje na sua área, ao mesmo tempo é convidado a localizar esta sua especificidade no contexto maior, ou seja, num saber que reúna todos os saberes. E aos poucos nota-se que eles...conseguem! Mesmo que revelando a dificuldade. Coloca-se também a idéia de que hoje se constata uma falta de motivação verdadeira do aluno pelo saber. E levanta-se a hipótese de ser a própria relação "hierárquica" professor "sabe-tudo" versus aluno, que amortece o desejo e curiosidade pelos saberes seculares e contemporâneos. A proposta que o livro vai tecendo, (na ótica de um leitor leigo das teorias da educação), é equipar o professor atual de elementos inclusive psicológicos para tratar a área do saber que professa como algo vivo e entusiasmante. Trazer a verdade sobre as DIFICULDADES INTELECTIVAS E PRÁTICAS enfrentadas pelos cientistas na busca do "passo seguinte", a partir do esclarecimento de como está sendo feita determinada pesquisa, as teorias rígidas ou flexíveis da qual deriva, e finalmente em que ponto CHEGOU na data presente. A partir de então, CONVIDAR e ESTIMULAR o aluno a PENSAR JUNTO com os cientistas na busca de novas conquistas. Ou seja, a reforma proposta no livro é realmente estrutural: o professor deixa de ser, a partir de agora, o "sabichão" que tudo sabe, ou que tudo deveria saber, e cuja palavra é lei, para começar a ser um "amigo mais vivido" na equipe de "seres humanos naturalmente curiosos, entusiastas e pesquisadores".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Melhores romances

Achei muito boa esta seleção de romances, vou apresentá-la aos poucos 100 melhores romances do século XX segundo a Folha de São Paulo




1º – Ulisses (1922) – James Joyce (1882-1941). Retomando parodicamente a obra fundamental do gênero épico -a “Odisséia”, de Homero-, “Ulisses” pretende ser uma súmula de todas as experiências possíveis do homem moderno. Ao narrar a vida de Leopold Bloom e Stephen Dedalus ao longo de um dia em Dublin (capital da Irlanda), o autor irlandês rompeu com todos as convenções formais do romance: criação e combinação inusitada de palavras, ruptura da sintaxe, fragmentação da narração, além de praticamente esgotar as possibilidades do monólogo interior. Para T.S. Eliot, o mito de Ulisses serve para Joyce dar sentido e forma ao panorama de “imensa futilidade e anarquia da história contemporânea”.



2º – Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) - Marcel Proust (1871-1922).Ciclo de sete romances do escritor francês, inter-relacionados e com um só narrador, dos quais os três últimos são póstumos: “O Caminho de Swann”, “À Sombra das Raparigas em Flor”, “O Caminho de Guermantes”, “Sodoma e Gomorra”, “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Redescoberto”. Ampla reflexão sobre a memória e o poder dissolvente do tempo, o ciclo se apóia em fatos mínimos que induzem o narrador a resgatar seu passado, ao mesmo tempo em que realiza um painel da sociedade francesa no fim do século 19 e início do 20.





3º – O Processo – Franz Kafka (1883-1924). Na obra-prima do escritor tcheco de língua alemã, o bancário Josef K. é intimado a depor em um processo instaurado contra ele. Mas, enredado em uma situação cada vez mais absurda, Joseph K. ignora de que é acusado, quem o acusa e mesmo onde fica o tribunal.












4º – Doutor Fausto (1947) – Thomas Mann. Biografia imaginária do compositor alemão Adrian Leverkühn, escrita por seu amigo Serenus Zeitblom durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Nela, o autor, para recontar o pacto fáustico com o diabo, se vale de aspectos da vida de Nietzsche, da teoria dodecafônica de Shoenberg e do auxílio teórico do filósofo Adorno. O alemão Thomas Mann, filho de uma brasileira, recebeu o Prêmio Nobel em 1929.



5º – Grande Sertão: Veredas (1956)- Guimarães Rosa (1908-1967). No sertão do Norte de Minas, o jagunço Riobaldo conta para um interlocutor, cujo nome não é revelado, a história de sua vida de guerreiro e de seu amor pelo jagunço Diadorim -na verdade, uma mulher disfarçada de homem para vingar o pai morto em luta. A escrita de permanente invenção de Guimarães Rosa (feita de neologismos, arcaísmos, transfigurações da sintaxe) reelabora a expressão oral e os mitos do interior do país a fim de criar um quadro épico e metafísico do sertão.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tiffani Hollack Gyatso


Tiffani Hollack Gyatso nasceu em 1981, no Brasil. Passou a infância em uma comunidade criada por seus pais em Minas Gerais (www.taotien.com.br), e durante a adolescência viajou pelo mundo. Viveu em um veleiro na costa de São Paulo, depois com os aborigenes no deserto da Austrália e finalmente fez uma peregrinação pelo sul da Rússia a bordo de um motorhome, da Alemanha até a Mongólia. Foi quando viu Thangka, a arte sacra tibetana, pela primeira vez. Determinada a estudar a técnica de Thangka, trabalhou como designer gráfica na Alemanha por três anos antes de se estabelecer em Dharamsala, na Índia. Lá, foi a primeira estrangeira a ser aceita no Instituto Norbulingka (www.norbulingka.org), onde estudou de 2003 a 2006. Voltou ao Brasil e desde 2007 vive com seu bebê e seu marido tibetano em Viamão, onde convidada por Lama Samten, coordena as pinturas do Templo Caminho do Meio.
Tiffani escreveu um livro entitulado "Life andf Thangla" publicado na India em 2005. Ela procura publicar no Brasil e aqui ela oferece alguns trechos do seu livro em nossa língua. A história é sobre sua vida de aprendiz nas artes sacras budistas tibetanas, numa vida aventurosa nos pés do Himalaia. Quem quiser entrar em contato e se interessa em tornar esses contos em um livro, entre em contato: tiffanihr@gmail.com e seu site: www.tiffanihr.com


TUDO COMEÇA COM A MOTIVAÇAO
Às vezes o mundo parece ser tão dolorosamente belo. Olho pela janela e vejo como a natureza cresce e se transforma, sem outra intenção, a não ser a intenção de ser bela em sua crueldade e em sua doçura. Às vezes, o amor é tão intenso que um grito na tentativa de alívio soaria calado, pois o mundo engoliria o som, trazendo a dor de volta para mim. A cada instante sinto que estou morrendo e a cada momento desejo morrer em paz. Em minha morte pergunto aos céus para onde vou, mas minha voz é perdida no vazio do espaço. Deduzo então que é para lá que eu me vou – para o nada. Então, por quê? Pergunto ao deus que o homem criou: por que tento incansavelmente atingir algo? A ausência de resposta mistura-se a uma abundante diversidade de respostas: vozes da natureza, religião, ciência, emoções, lógica... dos outros. Sigo nesta busca, mergulhando em todas as fontes, não me importando se tudo está à beira de um precipício – estamos morrendo... e tudo que ainda desejo é apenas morrer em paz.


Não, não espero mais obter as respostas, mas sim me ver livre de tantas dúvidas. Achar um sentido para a vida que acalme a mente; ajude a aceitar minhas limitações e, ainda assim, que me mantenha convicta de que o que está além da mente é o ilimitado.

Indagar um universo infinito, significaria indagar infinitamente – então pergunto de novo: quero satisfazer a mente... ou quero simplesmente morrer em paz?

Continuo na busca de alívio, de um refúgio, de livrar-me da intensidade da vida, da beleza que não se perpetua na decadência; livrar-me deste ciclo de vida e morte; de desejos insatisfeitos; livrar-me de toda esta ignorância que me atrai e assusta com o seu veneno. Tento livrar-me dos altos e baixos navegando entre contentamento eufórico e desespero pacífico. Tento liberar-me da obsessão pelo conforto e inspirar-me sem dor e tristeza.

Sinto que o remédio de minha ferida é o papel: papel, lápis e cores. Misturo nanquim com sangue e a dor alivia. Sinto a necessidade de escrever e pintar para curar minha alma, mas isto não significa que sou infeliz! A contradição de tudo isso é que eu sou tão feliz que até dói.

Ausência de risadas não é sinônimo de infelicidade! Este tipo de felicidade que sinto explora até o mais íntimo do coração tímido, embebido em um mundo complexo e fascinante no qual a mente sedenta mergulha e se perde.Imagino que outros ‘buscadores’, se identificam com o que tento dizer.

Para arte ser, a arte precisa que o criador se explore e se renda a essa jornada de análise e desafio. Para desenhar o mundo precisamos primeiro sabê-lo, enxergá-lo e experiênciá-lo em profundidade, em suas proporções, perspectivas, sua geometria, luz, sombra, cores e textura. Afinal, o mundo não é nada mais que um reflexo do que somos, o micro do macro, que contém todo o universo já que dele somos parte. E é nele que a vida e a arte se fazem brotar.